Retalho com Maio negativo

Apesar das vendas do “Memorial Day”, do tempo quente e das inúmeras promoções realizadas, os retalhistas americanos deverão anunciar uma quebra nas vendas comparáveis realizadas durante o mês de Maio. Os grandes armazéns e algumas marcas de moda estão a sentir o efeito da preferência manifestada, por parte dos consumidores, pelos retalhistas discount. Segundo os dados já revelados por alguns retalhistas, os consumidores americanos continuam essencialmente à procura de preços baixos desde que há 17 meses começou a maior recessão desde a grande depressão. A contribuir para os gastos mais selectivos das famílias americanas estão factores relacionados com os níveis de desemprego e a quebra de mercado imobiliário. Apesar dos recentes aumentos nos níveis de confiança dos consumidores nos EUA e de alguns sinais de estabilização da economia, os dados de Maio vêm provar que os gastos estão essencialmente orientados para os bens de primeira necessidade, abrandando assim hábitos de compra mais consumistas. As vendas comparáveis de Maio (baseadas num número de lojas similares em 2008) deverão cair 3,6%, de acordo com o índice da Thomson Reuters, que tem como base a receita gerada por 30 retalhistas representativos do todo do mercado. Este valor será, contudo, inferior aos 4,5% registados desde o início do ano. Estes dados excluem as receitas da Wal-Mart, o maior retalhista do mundo, que deixou de anunciar publicamente os seus dados mensais de vendas em Abril deste ano. O gigante da distribuição, que tem sido uma das empresas com melhor performance neste período recessivo, contribuía, em média, com cerca de 50% para este índice. Jharome Martis, analista sénior da Thomson Reuters, refere que com a saída da Wal-Mart do índice, iremos ter uma imagem mais concreta de como os resultados dos outros retalhistas se estão a comportar». Neste ambiente de quebra de vendas, os retalhistas cujo target são os consumidores mais afluentes são aqueles que atravessam maiores dificuldades. Os grandes armazéns, como é o caso do Saks, irão apresentar quedas acentuadas no volume de negócios. Os retalhistas com preços mais acessíveis, como a TJ Maxx, poderão, por seu lado, apresentar crescimentos significativos das vendas, inclusive superiores aos crescimentos apresentados há um ano atrás. Nas cadeias de retalho de moda, aquelas com campanhas promocionais mais agressivas, tipo “leve 2 pague 1”, são previsivelmente as que irão apresentar melhores performances. Nesta categoria destaca-se a Aeropostale, que poderá continuar a registar crescimentos de 2 dígitos. Retalhistas de moda que entraram tarde nas estratégias promocionais, como é o caso da Abercrombie & Fitch, poderão apresentar quebras que rondam os 25%. No grupo detentor da Gap, os resultados a apresentar serão mistos. Enquanto que a cadeia Gap parece continuar com vendas em baixa, a cadeia Old Navy, do mesmo grupo e com uma estratégia de preços baixos, continuará a sua recuperação. Um dos factores que mais está a contribuir para a retracção do consumo e à taxa de desemprego. Os analistas esperam que a taxa de desemprego sofra um agravamento em Maio, dos 8,9% para os 9,1%.