Retalho a meio gás na Irlanda

O volume de vendas no retalho irlandês caiu 1,1% ficando 3,1% abaixo em termos anuais, segundo dados provisórios – contrastando fortemente com os dados fortes do comércio externo, o que evidencia as duas velocidades da economia irlandesa. «Estamos a registar um crescimento fenomenal nas exportações, significativamente acima do que até mesmo a expectativa actual O contraponto é uma fraca economia nacional e, certamente, o consumidor ainda está a cortar nos gastos supérfluos», afirma Dan McLaughlin, economista do Bank of Ireland. O sector de exportação da Irlanda está a crescer suportado pela melhoria na procura mundial e as multinacionais que dominam a indústria beneficiaram da crise económica do país, na medida em que os salários e os preços da habitação caíram. Os dados preliminares mostraram que o excedente da balança comercial irlandesa atingiu os 4,1 mil milhões de euros em Novembro, muito acima dos 2,8 mil milhões de euros registados em igual período de 2009. Os responsáveis governamentais do país estão a apostar no comércio externo para tirar a Irlanda de uma recessão prolongada e ajudá-la a cumprir as metas fiscais e de dívida estabelecidas no âmbito do pacote de apoio conjunto entre a UE e o FMI, no valor de 85 mil milhões de euros. Mas a Associação de Exportadores Irlandeses advertiu que, apesar das exportações atingirem um recorde de 161 mil milhões de euros em 2010, com base nos seus cálculos, e do crescimento esperado para este ano, pode ainda não ser suficiente para cumprir as metas do FMI. Sob os termos do acordo de resgate, a Irlanda comprometeu-se a controlar o seu défice orçamental até 2015 e os contribuintes, após mais de dois anos de austeridade, vão enfrentar mais quatro anos de cortes para compensar a queda das receitas fiscais relacionadas com o imobiliário e das perdas bancárias. A economia doméstica é o motor de emprego e das receitas fiscais, mas deverá permanecer em declínio económico prolongado, devido às medidas de austeridade. Os economistas esperam que as vendas no retalho permaneçam inalteradas ao longo de 2011, de acordo com a última sondagem da Reuters. «Acho que estamos a assistir à dicotomia entre a economia externa e a economia interna», explica Alan McQuaid, economista-chefe da Bloxham Stockbrokers. «Infelizmente, não vai melhorar em breve», conclui McQuaid.