Resultados optimistas para as grandes lojas europeias

As grandes lojas têm um grande futuro diante delas. Esta é a conclusão optimista de um recente relatório do instituto de estudos britânico, Verdict. «O declínio das grandes lojas foi bem travado na Europa, e as perspectivas nunca foram tão boas», insiste o relatório. Entre 1996 e 2001, as vendas das grandes lojas na Europa aumentaram 22%, ou seja um crescimento superior ao do consumo em geral. Ao contrário, entre 1991 e 1996, as vendas diminuíram 2,6%, enquanto que o consumo aumentou mais de 20%. De uma só vez, a quota de mercado das grandes lojas no conjunto de distribuição caiu de 3,2% para 2,6%. Apesar da recuperação dos cinco últimos anos, esta tendência parece difícil de inverter: a quota de mercado não ultrapassou os 2,7%. «O Reino Unido esteve à frente desta reconquista», afirma o Verdict, citando o sucesso de grupos como Selfridges, e também como Debenhams e John Lewis. O Verdict explica que o sucesso destes grupos se deve à reorganização dos mesmos: «este formato de loja é bastante flexível. A prioridade não é tanto satisfazer todo o mundo ao mesmo tempo, mas concentrar-se em alguns pontos fortes. As grandes lojas são reinventadas, reduzindo ou eliminando produtos e dando prioridade a outros». A moda, é sem dúvida um dos sectores chave. O Verdict prevê que o vestuário e o calçado representem mais de metade do volume de negócios das grandes lojas nos principais mercados europeus (o Reino Unido, a França, a Alemanha e a Espanha, que fazem um total de mais de 90% das vendas totais na Europa). As grandes lojas pagam no entanto o preço desta dependência da moda: «o menor crescimento registado no sector de vestuário e do calçado em relação a outros sectores tem sido um obstáculo ao desenvolvimento das grandes lojas», assegura o Verdict. O instituto calculou que, se o sector tivesse aumentado ao mesmo ritmo que os outros, as grandes lojas dos quatro principais países europeus registariam um volume de negócios total superior aos 4,5 mil milhões de euros. A renovação das grandes lojas é acompanhada de uma consolidação sobre cada mercado nacional, e cada país reconhecido com um número limitado de marcas: El Corte Inglés em Espanha, Karstadt e Kaufhof, na Alemanh, Printemps e Galeries Lafayette, em França; ou Coin e La Rinascente, em Itália. O Reino Unido é uma excepção, onde sobrevive um grande número de cadeias. O Verdict não acredita no entanto, numa consolidação à escala europeia. «Contrariamente ao sector alimentar, as fusões-aquisições internacionais não existirão a não ser a longo prazo», afirma o relatório. Os grupos importantes como a Karstadt, o El Corte Inglés e a Vendex Kbb, decidiram que era muito arriscado. Só casos isolados de resgate tiveram lugar, como a aquisição da cadeia belga Inno pelo grupo Metro. Paralelamente, o Verdict antecipa pouca expansão de um país para outro, com a excepção de casos específicos de vizinhança como o Corte Inglés em Portugal.