Resultados fortes

A quebra das vendas em todas as regiões com excepção da ásia juntaram-se aos custos de reestruturação para levar a gigante de artigos desportivos Nike Inc a registar uma quebra de 30% nos lucros do último trimestre. Mas mais preocupante para a empresa americana, sedeada no Oregon, é o facto das encomendas futuras de calçado e vestuário Nike, que serão entregues entre Junho e Novembro de 2009 – um indicador para as vendas futuras – estarem em baixa de 12%. Para os três meses até 31 de Maio, o lucro do grupo desceu para os 341,4 milhões de dólares (239,97 milhões de euros) ou 0,70 dólares por acção (0,50 euros), dos 490,5 milhões de dólares, ou 0,98 dólares por acção, um ano antes. Excluindo os encargo de 144,5 milhões de dólares devido às reduções na sua força de trabalho e à reestruturação do seu negócio em apenas seis regiões, a Nike revelou que o seu lucro teria aumentado 3%, para os 485,9 milhões de dólares, ou 0,99 dólares por acção. Durante o trimestre, a empresa revelou planos para reorganizar a marca Nike em seis regiões numa tentativa de tornar as suas operações mais eficientes e cortar nos custos. A Nike também respondeu ao actual abrandamento económico cortando 5% da sua força de trabalho mundial, composta por 35 mil pessoas, em Maio – incluindo cerca de 500 postos de trabalho na sede da empresa. Apesar dos esforços para cortar nos custos, as margens brutas no trimestre caíram para os 43,4% (em comparação com os 45,8% anteriores), uma redução que a empresa atribui aos maiores custos de produção e às reduções de preços efectuadas para gerir os inventários. O volume de negócios do quarto trimestre também desceu 7%, para os 4,7 mil milhões de dólares, em comparação com os 5,1 mil milhões de dólares em igual período do ano passado. Mas sem o efeito das flutuações da taxa de câmbio, o volume de negócios manteve-se praticamente estagnado, segundo a empresa. A região da ásia-Pacífico continua a ser o mercado em maior crescimento da Nike, com as vendas a manterem-se inalteradas no trimestre. Noutros pontos, contudo, as coisas foram diferentes: o volume de negócios nos EUA, o maior mercado da marca, caiu 2%; desceu 19% na Europa, no Médio Oriente e em áfrica (a chamada região Emea); e diminuiu 3% nas Américas. Nos outros negócios do grupo, que incluem a Cole Hann, a Converse, a Hurley International, a Nike Golf e a Umbro, as vendas trimestrais caíram 5%, para os 702,3 milhões de dólares, e o lucro bruto caiu 56%, para os 40,6 milhões de dólares. Na conferência com os analistas, o presidente e director-executivo da Nike, Mike Parker, afirmou que, apesar de ver «sinais de recuperação económica, ainda temos um caminho difícil pela frente». Para o ano total, o lucro desceu 21%, para os 1,5 mil milhões de dólares ou 3,03 dólares por acção – mas teria aumentado 7%, para os 1,9 mil milhões de dólares, ou 3,81 dólares por acção, sem os custos da reestruturação. O volume de negócios anual aumentou 3%, para os 19,2 mil milhões de dólares, em comparação com os 18,6 mil milhões de dólares de um ano antes. Por região, o volume de negócios na ásia-Pacífico aumentou 15%, 10% nas Américas e 2% nos EUA. Apenas as vendas na região Emea caíram, cerca de 2%. A facturação para os outros negócios do grupo desceu 1%, para os 2,5 mil milhões de dólares, tendo registado um prejuízo bruto de 196,7 milhões de euros, em comparação com o lucro de 364,9 milhões de dólares no ano anterior. Parket descreveu os resultados como «fortes». Segundo afirma, «o ano fiscal de 2009 foi um ano que desafiou as empresas a apoiarem-se nas suas principais forças e a adaptarem-se rapidamente à paisagem em mudança», afirmou, acrescentando que «estamos a responder a estes desafios e a aproveitar a oportunidade de optimizar a nossa posição enquanto líder da indústria». Olhando para o horizonte próximo, as encomendas futuras de calçado e vestuário da marca Nike, cuja entrega está prevista entre Junho e Novembro de 2009, caíram 12%, em comparação com os 7,8 mil milhões de dólares registados em igual período do ano transacto. As encomendas caíram em todas as regiões, com o maior declínio (menos 24%) a registar-se na região Emea, seguida das Américas (menos 7%), ásia Pacífico (menos 5%) e nos EUA (menos 4%). Parker revelou ainda aos analistas que a empresa «está a apontar para um crescimento moderado e vamos continuar a manter a nossa posição conservadora em termos de compras para inventário, comprando, no geral, para encomendas futuras».