Rentabilidade não acompanha aumento das vendas

O CENESTAP efectuou um primeiro levantamento preliminar de dados junto das maiores empresas nacionais do sector, o qual permitiu desenhar os primeiros sinais sobre o que se passou com a indústria têxtil e do vestuário nacionais em 2001. Tal recolha de informação surtiu num total de 30 respostas, cuja dimensão agregada representa já 11% do total do volume de negócios do sector têxtil e do vestuário em 2001. Em termos agregados, saliente-se que o volume de negócios da amostra obteve um crescimento na ordem dos 5%, o que associado ao facto do volume de emprego se ter mantido praticamente inalterado, passando de 12.411 trabalhadores no ano 2000, para 12.514 trabalhadores em 2001 (+0,83%), induz um crescimento do volume de negócios por trabalhador de 4,3%, situando-se em 2001 nos 74.871 € por trabalhador. A capacidade exportadora das empresas da amostra reforçou-se, com o valor das exportações a crescerem 7,1%, representando o mercado externo 60% do volume de negócios da amostra. Ao nível da eficiência, podemos constatar que a produtividade aparente do trabalho cresceu perto de 7%, situando-se em 2001 nos 19.881 € por trabalhador. Contudo, a rentabilidade das vendas sofreu uma forte quebra (-30,4%), devido a uma redução drástica dos resultados líquidos das empresas da amostra, que em termos agregados atingiram os 22.804.734 €, o que significa uma margem líquida de 2,4%, contra os 3,5% registados no ano 2000. Esta deterioração da margem líquida em contra-ciclo com o aumento da produtividade indicia um possível aumento da concorrência e as consequências do arrefecimento da economia mundial, donde deriva uma diminuição das margens. Ao desagregar a amostra por sectores de actividade, nomeadamente, separando as empresas do sector têxtil, das empresas do sector do vestuário e das empresas de têxtil-lar, consegue-se fazer uma análise mais focalizada. Assim, em termos de variação do volume de negócios, os sectores têxtil e vestuário conseguem aumentos na ordem dos 5%, enquanto o têxtil-lar apresenta crescimentos de 2%. Por outro lado, este sector mantém a sua vertente predominantemente exportadora, com uma taxa de exportação superior a 80% do volume de negócios. Contudo, é curiosamente o sector têxtil quem apresenta uma maior taxa de crescimento das exportações (9,7%). O sector do vestuário confirma uma tendência de abrandamento no mercado externo, apresentando as empresas da amostra, uma taxa de crescimento das exportações inferior a 1%. Ao nível dos resultados líquidos, as empresas de vestuário constituintes da amostra cresceram no ano passado 7,5%, enquanto as empresas dos restantes sectores encerraram o ano com quebras bastante pesadas nos lucros, respectivamente -47% para o sector têxtil e -14% para o têxtil-lar, tendo contudo permanecido positivos. Juntamente com a quebra nos resultados líquidos é visível uma grande erosão das margens líquidas destes dois sectores, com quebras de 50% para o sector têxtil e de 16% para o têxtil-lar. Já o sector do vestuário manteve uma rentabilidade das vendas praticamente inalterada, situando-se em 2001 nos 3,2%. Como aspecto positivo, saliente-se o aumento da produtividade do trabalho nas empresas da amostra. Para os três sectores considerados, o VAB por trabalhador apresenta evoluções positivas, tendo o maior aumento acontecido no sector têxtil com 8,9%, seguido do sector do vestuário com 5% e as empresas de têxtil-lar tiveram crescimentos na ordem dos 4,2%. Este crescimento da produtividade do trabalho mostra que, dada a taxa de crescimento do volume de emprego ter sido praticamente nula, é ao nível do valor acrescentado bruto onde se registam os maiores crescimentos. Este aumento do VAB indicia uma maior incorporação de factores dinâmicos de competitividade na fileira dos três sectores e como a diminuição das margens foi fruto essencialmente do arrefecimento da economia nos principais mercados mundiais, perspectiva-se que, com a possível retoma da economia mundial associada à oferta por parte das empresas de produtos com maior valor acrescentado, resultará numa recuperação das margens líquidas entretanto perdidas. Como conclusão salienta-se que, as empresas da amostra conseguiram no essencial, passar o ano 2001, que foi um ano problemático em termos económicos, sem sofrer grandes quebras nos seus resultados, através de um “up-grading” valorativo da sua oferta, o que perspectiva uma recuperação rápida das suas margens a quando da prevista retoma da economia mundial. Links para notícias relacionadas: Portugal cresce, Espanha dispara, França recua ITV aumenta volume de produção Têxtil aguenta queda do vestuário O empurrão dos têxteis técnicos Margens sustentam crescimento