Rendas de bilros: um passado com futuro

Com um vasto passado histórico, a renda de bilros, um dos ex-libris de Vila do Conde, é uma técnica que reflecte uma cultura e uma tradição passadas de mães para filhas. Na escola do Museu das Rendas de Bilros de Vila do Conde, todos os interessados aprendem a arte de trabalhar com os bilros, numa tentativa de prolongar no tempo uma arte secular.

Desde o século XVI que há registos das rendas de bilros em Vila do Conde. «Há documentos que comprovam a sua ancestralidade, nomeadamente actas de vereação de câmara onde a profissão de rendilheira já era tratada com algum cuidado», explicou António Ponte, responsável pelo museu. Reza a história que a técnica havia sido importada da Flandres, cidade com a qual Vila do Conde estabelecia relações comerciais directas. As mulheres de mercadores, comerciantes ou marinheiros, como estes passavam muito tempo longe de casa, viram-se obrigadas a encontrar uma maneira de complementar os orçamentos familiares pelo que se dedicaram aos bilros. Através dos tempos, foi nítida a importância económica desta arte para o concelho. De facto, e como frisou Ponte «existem documentos do século XVIII, uma espécie de passaportes, onde se pedia autorização à câmara para comercializar as rendas de bilros».

Actualmente, a preocupação está mais centrada num nível cultural e turístico, existindo toda uma série de esforços e tentativas para não deixar desaparecer uma tradição com cerca de 500 anos. Para esse efeito, foi instalado, em 1991, na Casa do Vinhal, o Museu das Rendas de Bilros onde funciona, além das várias exposições, a Escola de Renda na qual, diariamente, vários alunos aprendem esta técnica secular. A escola de rendas funciona em período escolar e as inscrições estão abertas a todos, entre os quatro e os 60 anos, que se interessem por bilros.

Estão, assim, unidas duas vertentes de um mesmo processo de valorização da tradição local, «uma, a escola, como vector de formação e outra, o museu, como veículo de informação e preservação dos bilros», comentou o responsável pelo museu.

 

Paralelamente, lembramos que, como foi publicado em artigo anterior, está em curso o processo de certificação das Rendas de Bilros de Vila do Conde enquanto produção artesanal tradicional.