Reinventar a ITV

A empresa industrial tradicional necessita de reinventar-se. As actividades baseadas em montantes elevados de capital fixo e capacidade produtiva têm que enfrentar a realidade actual: estruturas flexíveis, ágeis e perfeitamente integradas em redes de colaboração estão a tomar a dianteira. A Indústria Têxtil e do Vestuário (ITV), outrora uma indústria que focava a sua competitividade no produto, está, face ao panorama actual de globalização, cada vez mais centrada no mercado e nas suas tendências. Um dos factores que mais influenciou esta mudança de foco é claramente o cada vez maior acesso à informação por parte dos consumidores. Para essa “democratização” da informação a Internet foi a ferramenta que mais contribuiu. Hoje em dia, os consumidores seguem as tendências mais de perto, têm cada vez mais acesso a ferramentas de comparação entre produtos, marcas e respectivos preços. Por outro lado, esse cada vez maior acesso à informação por parte do mercado tem sido acompanhado por uma dispersão dos mercados alvo em termos de gostos, comportamentos, estilos e perfis de compra. Com a velocidade e variedade das tendências de mercado, as organizações mais ágeis e com uma maior capacidade de adaptação ao que está a acontecer a jusante serão as vencedoras. Na ITV portuguesa, assistimos a um fenómeno estranho e que pode prejudicar gravemente a nossa capacidade competitiva. Falamos frequentemente em inovação, em tecnologias, em plano tecnológico e em tecidos inteligentes. É uma situação paradoxal. O mercado é inteligente porque cada vez mais se informa e é informado. Os tecidos vão ser inteligentes pois vão ter propriedades de armazenamento e processamento de informação. E o tecido empresarial? É inteligente na recolha, tratamento, armazenamento e disseminação da informação? De facto, o nosso tecido empresarial é líder em termos de know-how específico, de capacidade de adaptação e de resposta rápida. Mas claramente não estamos a tirar partido da informação e das novas ferramentas colaborativas de posicionamento e competitividade na economia global. Temos um gravíssimo atraso nesta matéria. O CENESTAP- Centro de Estudos Têxteis Aplicados, foi a entidade coordenadora de um projecto (RIAT Infashion.pt) que analisou 300 empresas em termos de posicionamento face às novas ferramentas de competitividade na Economia Digital. Alguns dados apontam claramente que a ITV portuguesa necessita de uma forte aposta nestes factores de competitividade: – Cerca de 90% das empresas não tinham uma política de gestão e tratamento da informação interna; – 40% das empresa não tinham presença online e 50% tinham apenas uma página web estática; – Em termos de infra-estrutura de comunicação, metade das empresas tinham uma posição deficitária; – Quase 80% das empresas não tinham sistemas integrados de gestão e não tratavam a informação da forma correcta; – Só uma pequena minoria (5%) tinham alguma forma de tratar interacções e os dados dos seus relacionamentos com clientes; – A percentagem de empresas que interagia ou transaccionava com os seus clientes era residual. As conclusões foram claras. As empresas portuguesas, quer queiram ser fornecedores qualificados e de excelente nível serviço/produto, quer queiram estabelecer marcas fortes e presença significativa no retalho, terão que investir fortemente na informação e na forma como esta é tratada e disseminada. Assistimos actualmente a uma cada vez maior concorrência entre cadeias de fornecimento (não apenas entre empresas), e as tecnologias de informação e comunicação são um elemento essencial para a competitividade e para a inclusão dos organismos nessas cadeias. Começamos já a assistir à imposição por parte de alguns compradores de requisitos e especificações que obrigam a automatização de processos, à partilha de informação e à integração de sistemas. Há claras vantagens de custo e de eficiência associadas a essas formas de operar e as empresas mais competitivas estão a tirar partido dessas funcionalidades. O aumento de competitividade baseado em Tecnologias de Informação e Comunicação deverá ter em consideração os seguintes aspectos/vantagens: – Sistemas Integrado de Gestão únicos e transversais a toda a empresa melhoram substancialmente a sua performance; – A cooperação e a partilha de informação em tempo real aumenta a competitividade das organizações isoladamente e das cadeias de fornecimento no seu todo; – A automatização de processos liberta recursos humanos e financeiros para se apostar em actividades de maior valor; – A automatização e a integração de processos permitem a prestação de um serviço integrado (desenvolvimento de produto, produção, entrega e logística) gerador de mais valia competitiva e de maiores margens; – As tecnologias colaborativas permitem um mais rápido desenvolvimento de produto e uma resposta mais eficaz ao mercado; – Os custos de transacção diminuem drasticamente com a utilização de tecnologias; – O tratamento da informação e a informatização do relacionamento com clientes permitem uma maior fidelização e margens mais confortáveis. A adopção de modernas práticas de gestão e a alavancagem que os sistemas de informação podem possibilitar é um facto incontornável actualmente. A ITV portuguesa necessita de seguir este caminho de forma a reforçar a sua competitividade no mercado global. Como temos noticiado, encontra-se aberto o SIED- Sistema de Incentivos à Economia Digital. Este sistema de incentivos, que comporta incentivos não reembolsáveis até 40%, tem como objectivo dotar as empresas com este tipo de ferramentas. O SIED está em fase de candidatura apenas até 11 de Abril, mas constitui uma excelente oportunidade para as empresas adoptarem novos modelos competitivos retirando valor da Economia Digital.O CENESTAP, através de uma equipa que trabalha e analisa permanentemente o estado das tecnologias de informação e comunicação, as melhores práticas e soluções do mercado globa,l está em condição privilegiada para aconselhar as empresas da ITV nesta matéria.

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