Com a produção doméstica a diminuir a um ritmo alarmante e a iminente ameaça do fim das quotas no comércio internacional, a indústria britânica de têxteis e vestuário sente crescentes dificuldades para competir no mercado à escala global.
Neste sentido, foi recentemente lançado o programaThe Big Push, através do qual o Skillfast (Conselho da Indústria Têxtil, Vestuário e Calçado) espera superar as barreiras que esta indústria enfrenta com o reforço da formação profissional da sua força de trabalho.O Skillfast-UK integra cerca de 458.000 trabalhadores em todo o Reino Unido, e iniciou há dois anos um vasto programa, destinado a mudar o nível de qualificação na indústria têxtil, e os seus responsáveis esperam que, com um financiamento total de 4 milhões de libras nos próximos três anos e a rede de contactos que entretanto foi sendo criada, consiga pôr em prática uma verdadeira política de investimento no futuro deste sector.À frente do programaThe Big Push encontra-se a directora-executiva do Skillfast-UK, Linda Florance, que possui um longo currículo na área da educação e naindústria têxtil.Depois de trabalhar neste projecto durante dois anos, Linda Florance considera como grandes prioridades deste órgão o envolvimento dos empresários, educadores e responsáveis políticos num diálogo efectivo que resulte em reformas educativas eficazes, e como consequência, uma maior produtividade e competitividade a esta indústria.No entanto, ressalva esta responsável, esta meta não será alcançada sem o contributo de todos e o respectivo empenho e investimento, tanto humano como financeiro, de todos os participantes nos diversos níveis.Neste sentido, uma das principais tarefas deste projecto será uma revisão intensiva do nível de qualificações no sector, questionando os vários elementos em todos os níveis da indústria.Como exemplo dos pontos a abordar, temos a questão de até que ponto estarão desactualizadas as competências dos trabalhadores britânicos, face às actuais exigências desta indústria?Até à data, a resposta não é conhecida. De acordo com os últimos dados, cerca de 50% da mão-de-obra da indústria dostêxteis e vestuário do Reino Unido não é qualificada nem possui formação específica para o seu trabalho.Além disso, cerca de 40% desses trabalhadores serão substituídos em 2010, devido à sua avançada idade.Depois desta revisão do estado das competências profissionais deste sector, o Skillfast vai elaborar um contrato de formação para a indústria em questão, que incluirá o apoio a dar às empresas, no sentido de melhorar as capacidades dos trabalhadores e a competitividade das empresas, indicando em detalhe o que irá ser feito nesse campo, em que prazos e com que custos.Em resultado dessa análise, vão ser implementados nos próximos cinco anos um conjunto de planos de acção de curto, médio e longo-prazo, tendo em vista a solução dos problemas e carências entretanto identificados.Enquanto alguns destes planos serão desenvolvidos como resposta directa às necessidades da indústria, outros estão já em fases mais adiantadas de implementação.Entre estes, contam-se uma análise às estratégias de negócio das pequenas empresas do sector, a ser efectuada em cooperação com a associação Universidade Para a Indústria, e que consiste na recolha de oportunidades de carreira e de um conjunto decase studies de sucesso neste âmbito.Linda Florance compilou igualmente um conjunto de opções de formação e aperfeiçoamento profissional, que deverão ser implementadas com o intuito de proteger a ITV britânica perante o fim das quotas no comércio internacional, já a partir do próximo ano, nomeadamente através da identificação de nichos de mercado específicos, que poderão servir como argumento do contra-ataque dos têxteis do Reino Unido, face à produção em massa de outros países estrangeiros.No extremo oposto, esta responsável gostaria de ver as empresas locais a assumirem um papel importante no panorama internacional dos têxteis e vestuário, tirando assim vantagens das suas compras feitas no estrangeiro, embora reconheça as questões sensíveis inerentes a tal postura, acrescentando que devemos continuar a fazê-lo de forma ética e responsável.Qualquer que venha a ser o nível de participação da indústria têxtil no programaThe Big Push, Linda Florance confirma ainda que está assegurado o apoio do governo pelo período de cinco anos, reafirmando a intenção do governo britânico em apoiar todas as iniciativas que visem a melhoria da competitividade deste sector.










