RegioGreenTex mostra primeiros resultados

Da reciclagem de fibras de carbono e de aramidas aos estampados removíveis, passando pelos avanços na separação de resíduos e nos tingimentos naturais, são já muitos os resultados preliminares do RegioGreenTex.

Tintex

O projeto coordenado pela Euratex reuniu ontem, 11 de março, no CITEVE, os seus protagonistas, que numa sessão aberta ao público, acompanhada por uma exposição na entrada do centro tecnológico português, revelaram alguns dos produtos e serviços que estão a desenvolver.

O RegioGreenTex tem como objetivo criar redes industriais para a reciclagem em diferentes regiões europeias, juntando empresas, investigadores, associações e legisladores, promovendo a colaboração para fomentar o desenvolvimento de modelos de negócio circulares.

Portugal, mais precisamente a região Norte, integra este projeto, focando-se na reciclagem de têxteis com elevada percentagem de algodão. Além do CITEVE, estão envolvidas a Sasia e a Tintex.

Na apresentação que teve lugar ontem, um representante da Sasia revelou que a empresa comprou uma nova máquina de corte que permite uma maior eficiência no corte dos resíduos.

Já na Tintex, Pedro Magalhães, diretor de inovação da empresa, explicou que estão a usar «o nosso conhecimento para processar têxteis reciclados», nomeadamente com aplicação de processos de tingimento com corantes naturais, mas também com «a incorporação de água reciclada». A ideia é criar «malhas recicladas com a qualidade de malhas feitas com materiais virgens», referiu.

Mai bine [©Connect Nord-Est]
No total, foram apresentados 25 projetos de empresas do RegioGreenTex, com uma grande abrangência em termos de foco. A italiana Casalegno está a trabalhar em cortinas e tecidos de decoração retardantes de chama com elevado conteúdo de fibras recicladas, cujo primeiro conjunto de produtos «deverá estar pronto este ano», a sueca FOV Fabric está a investir na área da estamparia digital, a espanhola Hilaturas Arnau está a desenvolver um sistema de economia circular para resíduos com fibras retardantes de chama, a Hilaturas Mar, juntamente com a Unitech, está a produzir peças termoplásticas feitas a partir da reciclagem de fibras de carbono, um desafio «porque as fibras de carbono são muito curtas», assumiu um representante do projeto.

A italiana Officina 39, por seu lado, está a desenvolver a estamparia em tecidos naturais com a tecnologia Recycrom, que usa restos de têxteis coloridos para tingir novos têxteis, a romena Mai Bine criou uma ferramenta digital para reduzir os resíduos têxteis pós-industriais e a francesa Recyc’Elit está a trabalhar num novo processo de reciclagem química a nível molecular para têxteis complexos de poliéster. «Em meados deste ano devemos conseguir ter um projeto piloto e, com outros projetos de financiamento, poderemos para o próximo ano ter um projeto demonstrador», indicou o representante da empresa.

Dirk Vantyghem

Há ainda projetos na área da seleção de resíduos, como o da neerlandesa RTT, de reciclagem química de têxteis revestidos, como o da espanhola Synthelast e uma nova tecnologia de estamparia que permite remover os estampados antes da reciclagem, como a da sueca Vividye.

«O projeto está no primeiro ano de implementação, por isso temos de esperar um pouco mais para ver todos os resultados e o impacto final para as pequenas e médias empresas», ressalvou, em declarações ao Portugal Têxtil, Dirk Vantyghem, diretor-geral da Euratex. «Mas estamos muito contentes sobretudo porque as PMEs europeias estão a passar por grandes mudanças devido à pressão para serem mais sustentáveis e concorrerem num mercado global. Por isso, é muito importante tentar dar-lhes apoio, não só em termos financeiros e de investimento, como também em conhecimento técnico e coaching. E é isso que o RegioGreenTex está a tentar fazer, oferecer-lhes esse tipo de apoio que, esperamos, vai aumentar as hipóteses de serem bem-sucedidas a tornarem-se em empresas têxteis sustentáveis e competitivas», concluiu.

[©Ateval]