Reestruturação no têxtil-lar

Três das maiores empresas da indústria de têxteis-lar portuguesa – António Almeida & Filhos, Coelima e JMA – foram adquiridas pelo Fundo de Recuperação de Empresas, detido pelo Estado e pelos cinco maiores bancos portugueses, que, segundo a agência de notícias portuguesa Lusa, vai «proceder a ajustamentos para responder às efectivas necessidades do mercado». As três empresas manterão uma gestão independente, embora fiquem a pertencer à mesma holding, a MoreTextile, que constituirá, desta forma, o maior grupo nacional do sector. A operação surge numa altura em que as três empresas se debatiam com problemas financeiros. «O principal objectivo da operação é garantir a viabilidade das empresas, que estavam ameaçadas devido à situação financeira e às dificuldades de mercado decorrentes dos constrangimentos da procura, da concorrência dos países asiáticos e da subida exponencial dos custos de produção», indicou fonte oficial da MoreTextile à Lusa. Já o jornal Público adianta que as administrações das empresas serão substituídas, mas a operação de reestruturação empresarial não pressupõe a fusão das três têxteis, como confirmou fonte oficial à Lusa, adiantando que as empresas irão manter uma gestão independente, «não existindo fusão». Sabe-se igualmente que a holding MoreTextile vai ser gerida por uma equipa profissional que tem como missão definir a estratégia para viabilizar as têxteis, uma tarefa que deverá prolongar-se nos próximos meses. «Será necessária a realização de ajustamentos para responder às efectivas necessidades do mercado e garantir a sustentabilidade das empresas, sendo importante conhecer por dentro os três projectos, o que acontecerá ao longo dos próximos meses», resumiu a mesma fonte à Lusa. No total, as três empresas empregam cerca de 2.000 pessoas e, em 2010, representaram um volume de vendas superior a 100 milhões de euros. O Fundo de Recuperação de Empresas foi criado em Julho de 2009 pelo Estado português, através da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, e as cinco maiores instituições financeiras nacionais (incluindo a Caixa Geral de Depósitos), com o objectivo de apoiar a reestruturação de empresas com potencial económico, mas com estruturas financeiras desajustadas, potenciando a consolidação empresarial, bem como as soluções de sucessão e profissionalização da gestão. Este fundo interveio igualmente na empresa de calçado Move On (ex-Aerosoles), tendo adquirido a empresa em Julho de 2010, por 2,7 milhões de euros e, entretanto, já alienado parte do capital ao grupo indiano Tata.