Reebok aposta na publicidade controversa

As imagens que vendem os ténis da Reebok estão, actualmente, mordazes. Um anúncio retrata o diabo, outro tem impressões digitais onde parece ser um polícia a registar uma ocorrência,outro tem o rapper 50 Cent a avisar os compradores a «tirar partido do dia de hoje porque o amanhã não está prometido». Um anúncio televisivo controverso foi gravado no ano passado, onde o mesmo rapper50 Centsurge no papel deumtraficante de droga que vive em Farmington, e que conta a balas que foram disparadas contra ele. O rapper ri e depois olha para a câmara no momento em que uma voz pergunta «quem é que pretendes massacrar a seguir?» O anúncio foi retirado da Grã-Bretanha. A campanha da Reebok «I am what I am» é uma mudança significativa para a marca de ténis que primeiro ganhou com o lançamento dos ténis com tracção, subtilmente estilizados.Estes ténis eram dirigidos amulheres americanas que abraçaram o fenómeno da aeróbica em 1980. Actualmente, dá mais dinheiro vender produtos para adolescentes masculinos, uma realidade que não foi perdida pela Adidas-Salomon AG, que completou a compra da Reebok International em Janeiro por 3,8 mil milhões de dólares, planeando manter a marca Reebok viva. A Adidas deverá agora decidirse continua com a campanha de marketing que tem conseguido ganhos nas vendas a curto-prazo entre os consumidores mais jovens. Mas a campanha não está aagradar aalguns activistas – apesar de ainda não ter havido boicotes – e os analistas da indústria argumentam também que há um risco de alienar clientes que têm mais em conta a performance do ténis em detrimento da moda. «Promoção e marketing de calçado, ou qualquer tipo de vestuário, não é, e não pode ser, uma ferramenta para ganhar dinheiro referenciando a violência armada, drogas ou gangues», afirma Liz Bishop-Goldsmith, presidente da Rosedale de Nova Iorque, Mothers Against Guns (Mães contra as armas). A Reebok, que também trabalhou com o rapper Jay-Z, foi mais longe do que os seus rivais Nike e outros ao abraçar a cultura hip-hop e o entretenimento orientado para a juventude, em conjunto com o desporto.OCongresso de Igualdade Racial (CORE), um grupo de direitos civis, afirmou que a Reebok promove mensagens negativas sobre os negros. «50 Cent era um traficante de droga e que tinha orgulho nisso», refere Niger Innis, porta-voz da CORE. «O facto das corporações recompensarem este tipo de comportamento é um ultraje», acrescenta.