Recomendações para o novo Governo – a visão da Fitecom

Os empresários da indústria têxtil e vestuário elencam os principais desafios que enfrentam atualmente e apontam algumas medidas que deverão ser tidas em conta pelos governantes eleitos. Esta é a perspetiva de João Carvalho.

João Carvalho

Antes de saberem o resultado das eleições de 10 de março e de como seria constituído o próximo Governo do país, os empresários questionados pelo Jornal Têxtil apontaram algumas das prioridades e eventuais medidas que deveriam ser assumidas nos próximos tempos. O reconhecimento da importância da indústria têxtil e vestuário na economia e estrutura social do país foi uma das referências, a juntar-se à revisão fiscal, tributação sobre o trabalho, apoios à internacionalização e modernização, incluindo na transição digital, defesa dos interesses da indústria em Bruxelas, mas, sobretudo, a estabilidade desejada para que as empresas possam ser competitivas nos mercados internacionais.

Esta é a perspetiva de João Carvalho, administradora da Fitecom.

«O que é importante é a desburocratização. Em Portugal, sentimos muito isso, não há um acreditar no mundo empresarial. Penso que o controlo é muito importante, mas não devemos cair em exageros, não devemos ter várias entidades a controlar a mesma coisa. Não faz grande sentido. E depois essas entidades, por vezes, chocam umas com as outras, porque todas querem mostrar quem manda. No têxtil, no funcionamento global, há umas quantas entidades a fazerem o mesmo trabalho, o que não faz sentido nenhum. Portugal devia fazer uma aposta forte na desburocratização e reestudar esta questão de haver muita gente a fazer a mesma coisa. Esse deve ser o foco principal. Os impostos também são pesados e é uma questão que devia ser reanalisada. Acredito que o país precisa de valores para poder trabalhar, mas acho que, tal como as empresas, devia-se pensar numa contenção de custos. E não estou com isto a dizer diminuir os investimentos. Os investimentos são necessários, mas o controlo e a concretização desses investimentos é algo que devia ser modificado. Todos sabemos, quando olhamos, no geral, para as câmaras municipais e para os funcionários que têm, diz o povo na gíria “que é um a trabalhar e cinco a guardar”. De modo que acho que era importante uma melhoria na gestão económica do país».