Recomendações para o novo Governo – a visão da Anjos & Lourenço

Os empresários da indústria têxtil e vestuário elencam os principais desafios que enfrentam atualmente e apontam algumas medidas que deverão ser tidas em conta pelos governantes eleitos. Esta é a perspetiva de João Anjo.

João Anjo

Antes de saberem o resultado das eleições de 10 de março e de como seria constituído o próximo Governo do país, os empresários questionados pelo Jornal Têxtil apontaram algumas das prioridades e eventuais medidas que deveriam ser assumidas nos próximos tempos. O reconhecimento da importância da indústria têxtil e vestuário na economia e estrutura social do país foi uma das referências, a juntar-se à revisão fiscal, tributação sobre o trabalho, apoios à internacionalização e modernização, incluindo na transição digital, defesa dos interesses da indústria em Bruxelas, mas, sobretudo, a estabilidade desejada para que as empresas possam ser competitivas nos mercados internacionais.

Esta é a perspetiva de João Anjo, administrador da Anjos & Lourenço.

«Primeiro, olhar para os funcionários. Embora o salário mínimo seja, para nós, um esforço enorme, admito que para o funcionário que trabalha na têxtil é insuficiente. Portanto, criar condições à indústria para podermos fixar as pessoas a trabalhar na têxtil. Hoje ser costureira é depreciativo. Aliado a isso, com um salário baixo, mais vale ir vender perfumes para um shopping. Porque ganha o mesmo, não tem de dar produção. Então, deveriam olhar sector a sector. Qual é o peso que a indústria têxtil tem a nível nacional? Porque não ajudar os empresários, baixando o imposto, não para nós, mas sim para ajudar a encontrarmos condições que permitam pagar mais ao nosso pessoal. Aí iríamos estar todos muito mais felizes. Não estou a pedir para fazerem uma transferência para os empresários. Outra situação é a das horas extraordinárias: porquê taxar isso aos funcionários? As funcionárias, fazendo horas extraordinárias, perdem dinheiro. Não faz sentido nenhum. E depois vir para o terreno, deixarem a zona de conforto e sentirem as dificuldades dos empresários. Mas todos, não é grupos, porque infelizmente, na têxtil, em Portugal, existem alguns grupos com alguns sócios. A têxtil não é só isso. A têxtil é aquela microempresa que tem duas, três, quatro funcionárias – precisamos delas para fazer as nossas produções – até aos grandes grupos com centenas de pessoas. E temos de olhar para isso. Disse aqui [na Première Vision] ao Secretário de Estado, em julho de 2022, que isto estava em decadência. E 2023 foi o que foi. 2024 está a começar mal. Temos empresas a fechar um dia por semana por falta de trabalho. Isso quer dizer uma redução de 20%. Não é por falta de trabalho da Anjos & Lourenço, mas sim do trabalho geral. Portanto, basta olhar para isto, saiam dos gabinetes, venham para o terreno de uma forma séria e proativa para ajudar os empresários a saírem desta crise e a dar mais condições aos funcionários para fixarmos a mão-de-obra na indústria têxtil».