Reciclagem têxtil do Reino Unido sob ameaça

A Textile Recycling Association afirma que o sector da reciclagem têxtil no país está à beira de um colapso iminente devido aos desafios do mercado global e apela a que o governo britânico introduza um RAP à semelhança da UE.

[©Textile Recycling Association]

A Textile Recycling Association (TRA), que reúne mais de 75% das empresas de recolha e triagem de têxteis usados ​​do Reino Unido, refere, em comunicado, que os seus membros temem não poder fazer recolhas de têxteis em lojas de caridade, centros de reciclagem e lojas comunitárias por falta de capacidade das unidades de processamento existentes.

«O sector não recolher resíduos têxteis no Reino Unido resultará em consequências ambientais devastadoras, incluindo a poluição por microplásticos, a poluição da água e a acumulação de resíduos têxteis em aterros», sublinha.

A associação lembra que, mundialmente, são produzidos 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis todos os anos – o equivalente à altura do Monte Everest a cada sete minutos ou ao equivalente a um camião de lixo de têxteis a ser deitado fora a cada segundo.

A indústria de têxteis usados do Reino Unido está avaliada em mais de mil milhões de libras, impactando sectores como as instituições de caridade, as autoridades locais de resíduos e as indústrias de logística e embalagens. Um em cada 25 empregos no Reino Unido seria afetado caso a indústria falhasse, destaca a TRA.

Além disso, a possibilidade de os países europeus suspenderem as operações de triagem de têxteis agravam os receios da indústria quanto ao futuro do sector. França, Dinamarca, Suécia, Finlândia e Áustria propuseram proibições à exportação de têxteis usados dentro da UE, sinalizando uma mudança significativa na política, aponta a associação.

A somar a tudo isso, refere, a crise no Mar Vermelho, que está a perturbar o transporte marítimo, aumentou significativamente os custos operacionais para quem comercializa têxteis e, juntamente com o aumento da tributação dos mercados africanos e asiáticos e a pressão crescente para reduzir as exportações de resíduos, está a fazer com que a indústria enfrente imensas dificuldades financeiras.

«A fast fashion intensificou a entrada de têxteis de baixa qualidade no fluxo de reciclagem, o que aumentou ainda mais os custos operacionais, empurrando muitos comerciantes de têxteis para perto de um colapso financeiro», destaca.

Para responder a estes desafios, a TRA está a apelar ao governo britânico para que intervenha e regulamente a indústria, incluindo a introdução de um regime de responsabilidade alargada do produtor (RAP), que entrará em vigor em toda a UE a partir de janeiro de 2025. «É necessário um diálogo transparente e esforços concertados para apoiar uma indústria sustentável», conclui a TRA.