Reciclagem de têxteis com elastano mais ecológica

Investigadores da TU Wien desenvolveram um método para detetar elastano e fazer a separação das fibras com um solvente que não só é inofensivo para as pessoas e o ambiente, como pode ser recuperado e reutilizado no final do processo.

Emanuel Boschmeier [©TU Wien-Johannes Hloch]

«Muitos dos materiais que usamos para produzir vestuário são facilmente recicláveis como matérias-primas puras – como algodão, poliéster ou poliamida», explica, numa publicação da TU Wien, a universidade técnica de Viena, Emanuel Boschmeier, que está atualmente a fazer o seu doutoramento no tema no Instituto de Engenharia Química, Ambiental e Biociências na instituição. «Mas o elastano, mesmo que esteja misturado apenas em pequenas quantidades, torna a reciclagem com os métodos convencionais impossível», aponta.

As características de elasticidade do elastano fazem com que as máquinas usadas no corte dos têxteis e vestuário na reciclagem mecânica não consigam lidar com esta fibra, podendo encravar ou bloquear os equipamentos.

Os investigadores começaram por procurar um método fiável e rápido para detetar com precisão o conteúdo de elastano em têxteis. «Durante a nossa pesquisa, descobrimos que não existia um método desses até agora», revela Emanuel Boschmeier. «O método de teste habitual usa um solvente que está classificado como prejudicial para a saúde e é também extremamente demorado», acrescenta.

Foi desenvolvido, no laboratório Vasiliki-Maria Archodoulaki, um método de deteção otimizado que mede quanto elastano está presente numa peça de vestuário, recorrendo a espectroscopia de infravermelhos médios.

O passo seguinte foi encontrar uma forma de separar o elastano de outras fibras. «Fizemos experiências com diferentes solventes e fizemos os estudos teóricos. Por fim encontramos um solvente inócuo que remove seletivamente o elastano, deixando as fibras reutilizáveis intactas», indica Andreas Bartl, orientador de Emanuel Boschmeier.

[©TU Wien]
Desta forma, fibras como poliéster ou poliamida podem ser recuperadas praticamente na totalidade e mesmo o próprio solvente pode ser recuperado e reutilizado.

Mesmo quando a mistura é de lã com poliéster e elastao, é possível reutilizar os diferentes componentes, destacam os investigadores. «A lã é decomposta com enzimas sob condições suaves e não nocivas. O método produz um cocktail de aminoácidos que pode ser usado na indústria da cosmética ou na produção de fertilizantes. No próximo passo o elastano é separado e fica o poliéster reciclável», esclarecem.

O método, para o qual foi já foi submetido um pedido de patente, valeu a Emanuel Boschmeier o prémio INI em Inovação e Sustentabilidade em Engenharia, atribuído pela Sociedade Austríaca de Engenheiros e Arquitetos (ÖIAV) e pela Federação das Indústrias Austríacas (IV).