Quem vai ficar com o mercado norte-americano?

De acordo com o estudo doUS International Trade Commission (USITC), divulgado pelo Emerging Textiles, a China vai ficar com uma quantidade significativa do Mercado norte-americano de vestuário no período após quotas, outros países, tal como a Índia e o Paquistão, são considerados como sérios concorrentes à hegemonia chinesa. Segundo o USITC, diversos países fornecedores, incluindo o Sudoeste asiático e a África, poderão ser eliminados do mercado norte-americano.

O relatório foi enviado em Junho de 2003 ao responsável máximo pelo comércio dos EUA, Robert Zoellick, mais foi até à data mantido confidencial. Na avaliação do impacto da eliminação das quotas nos artigos têxteis e de vestuário, no final do corrente ano, o USITC concluiu que a China vai ser forçada a deixar determinadas fatias do mercado norte-americano para outros países de baixo custo laboral.

As exportações chinesas para os EUA poderão ser sujeitas às condições das salvaguardas da OMC para artigos têxteis. Washington já está a testar o mecanismo de salvaguarda em três categorias de produtos cujas quotas foram eliminadas a 1 de Janeiro de 2002. Para além desta questão, a USITC prevê que os importadores e retalhistas norte-americanos não vão correr o risco de recorrer a apenas uma origem para a sua produção.

A Índia é considerada a principal concorrente da China. Beneficiando de uma integração vertical em têxteis, desde a produção de algodão até ao fabrico dos tecidos, a Índia possui custos reduzidos e é capaz de fornecer os importadores norte-americanos com um leque muito alargado de produtos. No entanto, a Índia ainda é confrontada com a falta de segurança e com deficientes meios de transporte entre empresas, ao mesmo tempo que possui uma forte componente burocrática.

Para além da Índia, o Paquistão pode reter uma larga parte do negócio com os EUA, graças aos baixos custos e à produção interna de algodão e têxteis. No entanto, o relatório aponta a segurança pessoal e a segurança dos carregamentos, entre empresas e destas para o porto de embarque, como questões a considerar.

Graças aos baixos custos de mão-de-obra, o Bangladesh é outro dos possíveis concorrentes da China. No entanto, a falta de matérias têxteis e produtores de tecido, obriga à importação destes bens. No entanto, o relatório refere que o país está a tornar-se auto-suficiente em artigos de malha.

Entre os outros concorrentes asiáticos, o Vietname e a Indonésia podem manter uma parte do mercado norte-americano. No entanto, as quotas das importações do Vietname não serão renovadas até à entrada do país na OMC. A Indonésia, por outro lado, está a braços com forte agitação política e, no que diz respeito à segurança, possui uma imagem muito negativa entre os importadores norte-americanos.

Outros países do ASEAN poderão vir a ser eliminados do mercado norte-americano de vestuário, nomeadamente as Filipinas, a Tailândia e a Malásia, excepto nos casos em que estes países tenham desenvolvido a especialização em algum tipo de produto, como é o caso dolingerie no Sri Lanca.

Hong Kong e Macau poderão reter algum negócio ao abrigo do OPA (Outward Processing Arrangements),principalmente no caso dos EUA imporem quotas em grandes quantidades de vestuário com origem na China. O sistema OPA permite a Hong Kong e a Macau produzirem vestuário na China, com tecidos enviados para fábricas chinesas, antes dos produtos serem exportados com a referência de origem em Hong Kong ou Macau.

Apesar de ameaçados pela eliminação das quotas, os fornecedores da América Central vão continuar a beneficiar da sua proximidade com os EUA, principalmente se o Congresso norte-americano aprovar o acordo de isenção de tarifas. De acordo com o relatório, a região vai continuar a exportar vestuário para encomendas urgentes e produtos com reduzida necessidade de mão-de-obra, como é o caso da roupa interior.

A Turquia poderá reter uma parte do negócio realizado com os importadores norte-americanos, apesar da probabilidade de que venha a perder quota de mercado.

Os países da África e do Andean poderão ser eliminados do mercado norte-americano, com a excepção da Colômbia, que poderá ainda ser competitiva para vestuário em que os prazos de entrega são críticos.