Queda dos preços não deixa roupa de cama em maus lençóis

Em 2004, a categoria de roupa de cama continuou a assistir a uma deflação dos preços e a um sourcing cada vez mais directo da Ásia. Apesar de os principais fornecedores de roupa de cama terem lutado pelo aumento, ou mesmo por manter, os níveis de ganhos numa conjuntura de deflação de preços e de o retalho recorrer cada vez mais ao sourcing directo, os principais dez retalhistas registaram na sua maioria um crescimento significativo,contribuindo para quevendas de roupa de cama aumentassem 12 por cento, atingindo 8,3 mil milhões de dólares. As condições económicas mantiveram-se difíceis nesta categoria no último ano, sobretudo no caso dos edredões, lençóis e mantas, em que os preços desceram e os importadores asiáticos “roubaram” mais e mais negócios aos produtores americanos. Contudo, as vendas de artigos de segmento superior aceleraram em 2004, emresultado da tendência global para o luxo e da procura dos hotéis. No caso dos lençóis, a indústria confrontou-se com a subida dos preços de algodão e um potencial esgotamento das quotas deste artigo. Apesar de os retalhistas terem “assumido” uma quota-parte dessas subidas de preço, a categoria continuou sob pressão por parte de programas de sourcing directo do retalho, que deverão crescer outra vez em 2005, uma vez que as quotas foram abolidas. Keith Sorgloos, presidente da Home Source International, afirmou que«uma das coisas que se tornará mais crucial de futuro é determinar como quebrar a monotonia e confusão existente relativamente aos títulos dos fios. O consumidor americano ainda se restringe muito ao título do fio, mas a diferenciação reside na forma como se trabalha os lençóis e na sua performance». A categoria de colchas sofreu uma descida em 2004. Apesar de muitos retalhistas terem investido em produtos de segmento superior e em looks actuais, a massificação do artigo, e consequentes preços baixos, não trouxe grandes vantagens em termos de volume de vendas. Nos edredões de penas, os preços mais altos e a falta de penas resultaram numa diminuição do fornecimento, devido à gripe das aves no início do ano e ao aumento do custo da matéria-prima e dos produtos finais. Por consequência, alguns retalhistas diminuíram a sua oferta de artigos com penas ao longo do ano. O interesse na cor renasceu, uma vez que esta tinha constituído anteriormente uma alternativa para atrair clientes seguidores de moda a esta categoria. «O aumento de custosdas penas sentido em 2004, impulsionado pelo aumento da procura mundial, não foi um facto temporário. Os fornecedores de produtos finais suportaram o “fardo” em 2004, mas a situação não era sustentável», descreveu Eric Moen, presidente da Pacific Coast Feather Company. Entretanto, a categoria de travesseiros e protectores de colchões estava centrada em oferecer características funcionais. O valor do título dos fios não teve tanto impacto como no passado. A tendência está a afastar-se de vender as propriedades do produto passando para a oferta de benefícios “visíveis”, já que os clientes querem mais qualidade. Observaram-se também algumas interrogações relativamente à distribuição das marcas no que diz respeito às protecções para colchões, tendo algumas marcas chave migrado para canais de distribuição mais abrangentes. Scott Walters, director de desenvolvimento do produto na Louisville Bedding, acrescentou que, na categoria de roupa de cama, se tem verificado uma tendência contínua para produtos que apresentam uma determinada performance e benefício. «Os consumidores parecem estar a optar por produtos que de facto “fazem” alguma coisa por eles». Walters acrescentou ainda que parece também haver uma tendência contínua para alternativas aos artigos de penas, quer sejam edredões, colchões ou travesseiros.