Há mais de 200 anos,os primeiros 10 carneiros merino chegaram à Austrália, vindos da África do Sul, no navio de John MacArthur. Este foi o tímido início do actual rebanho australiano de quase 100 milhões de cabeças que tem sobrevivido a secas e inundações, fome e fartura, tudoem prol da indústria da lã. Foram muitos os homens e mulheres orgulhosos, corajosos e trabalhadores que laboraramlonga e arduamente para desenvolver o mais requintado pêlo do mundo. O que diria James MacArthur se estivesse vivo? Encontraria uma indústria em tumulto, uma matéria-prima que é de facto a melhor do mundo, mas que perdeu o seu valor. Uma matéria-prima que está presa numa “teia do tempo” que mantém uma imagem de produto tradicional. É preciso encorajar a inovação no retalho e identificar o que o consumidor irá comprar. Este é o caminho a seguir, isto é, restabelecer o valor da lã. A indústria voltou as costas ao marketing e, ao adoptar medidas de contenção de custos, acabou por dispensar trabalhadores daárea demarketing e vendas muito talentosos, alguns dos quais, ironicamente, estão presentemente a trabalhar para os produtores asiáticos e chineses de sintéticos. Eles são parcialmente responsáveis pela descida do preço da lã que anteriormente vendiam como uma fibra valiosa, mas uma vez na indústria dos sintéticos adoptaram obviamente a estratégia oposta. A indústria têxtil precisa de um plano com uma moldura temporal realística, uma estratégia com medidas quantificáveis e conclusões que possam ser rentabilizadas. É preciso “jogar” com os players mais fortes do retalho e desenvolver o que eles querem. Não se pode apenas esperar que aceitem o que já existe, simplesmente porque esse produto não existe. Para que uma nova inovação faça algum sentido comercial tem de ser estudada, robusta, adequada ao propósito para que foi criada e comercialmente viável. O mercado precisa de aumentar o valor da lã de 20 a 25 por cento. Para isso tem de criar produtos que justifiquem o aumento do preço, encorajar os retalhistas a promover vestuário de valor acrescido para gerar mais margens e apresentar o produto a um grupo-alvo jovem de consumidores entusiásticos que pagará o preço desejado, porque o produto o merece. É necessário olhar para novos mercados, observar novamente para que é que a lã é utilizada e assegurar o restabelecimento da lã como a “fibra champanhe” da Austrália que pode criar vestuário de uma qualidade superior a preços correspondentes. Os principais retalhistas estão sempre ansiosos por novos produtos. Inovação, fios têxteis, misturas, acabamentos, design e marketing podem criar este desejado novo produto. Estes processos têm de ser realizados eficazmente, profissionalmente e de forma consistente. A base de fornecimento tem de responder, tem de ser criativa, ardilosa e artística. Os fornecedores não podem adulterar o seu produto com base na procura dos ganhos, uma vez que essa atitude terá como consequência mais provável a ruptura da indústria. Fábricas como a Bulmer&Lumb, John Foster and Clissolds, Taylor & Lodge, Bower Roebuck e Huddersfield Fine Worsteds, Edwin Woodhouse e Cavendish, estão a considerar como podem melhorar a sua oferta e comercializar novos e belos tecidos para um consumidor jovem e entusiástico,trabalhando assim para um objectivo comum. Esse é o desafio, e não cobrar menos pelo que já existe. Ser capaz de cobrar mais por inovação e por um produto que o consumidor quer e valoriza. Trata-se de uma nova fase na evolução da lã merino: um produto excelente por um valor razoável- a combinação perfeita- direccionado a um novo consumidor. A herança das qualidades tradicionais de trabalhar os têxteis não se pode perder, mas é necessário inovar a lã merino para que gerações futuras possam apreciar o seu valor e desfrutar dos seus benefícios. A indústria pode mais uma vez florescer e colher os frutos do esforço de cinco gerações.










