Proibir o sourcing em Myanmar

O sindicato IndustriAll voltou a pedir à União Europeia para acabar com os programas de apoio ao aprovisionamento em Myanmar devido às repetidas violações dos direitos dos trabalhadores no país asiático.

[©ILO]

Após quase três anos de regime militar em Myanmar, o IndustriAll reiterou o pedido à União Europeia para retirar o apoio ao projeto Multistakeholder Alliance for Decent Employment in the Myanmar Apparel Industry (MADE in Myanmar) e ao acordo de comércio preferencial tudo menos armas.

Numa carta à Comissão Europeia, a IndustriAll sublinha que, tendo em conta o contexto atual do país – uma investigação, no ano passado, da Organização Internacional do Trabalho (OIT) encontrou diversas violações da liberdade de associação e convenções de trabalho forçado, assim como repressão violenta de sindicalistas –, é impossível o MADE in Myanmar cumprir o objetivo de ajudar as condições de trabalho e os direitos dos trabalhadores.

«O apoio continuado a estas políticas dá uma tábua de salvação vital aos militares, permitindo-lhes manter o poder. Quanto mais cedo este apoio for cortado, mas cedo o regime pode ser substituído pelo governo legítimo de união nacional», aponta Atle Høie, secretário-geral do IndustriAll.

Judith Kirton-Darling, secretária-geral adjunta do IndustriAll Europe, o braço europeu do IndustriAll, reforça a importância de acabar com estes apoios. «Pedimos à UE para trabalhar para a implementação das recomendações da Organização Internacional do Trabalho num Myanmar democrático tal como delineado».

[©Unsplash-Gayatri Malhotra]
No relatório, a OIT recomenda que as autoridades militares de Myanmar acabem com todas as formas de violência, tortura e tratamento desumano contra líderes e membros dos sindicatos, libertem e retirem as queixas criminais contra os sindicalistas detidos por exercerem as suas liberdades civis e levarem a cabo atividades sindicais legítimas e restaurem completamente a proteção das liberdades civis básicas, que estão suspensas desde o golpe de estado.

O IndustriAll sublinha que cada vez mais marcas europeias chegaram à conclusão de que é necessário cortar o financiamento, ainda que indireto, ao governo militar de Myanmar e anunciaram o compromisso de abandonarem, de forma responsável, o sourcing no país. Em agosto, a H&M anunciou a saída, um caminho que foi igualmente seguido pela Mango e pela Inditex.