Programa “Portugal Marca” só arranca depois do Verão

As acções previstas no âmbito do Portugal Marca só vão arrancar depois do Verão. Conforme foi divulgado pelo Diário Económico, Fernando Serrasqueiro, secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do consumidor, referiu que as acções a desenvolver, quer a nível nacional quer internacional, só arrancarão após os meses de Verão já «que a mobilidade das pessoas nessa época não é a mais indicada para poderem ser apreendidas e percepcionadas pelos mercados a que convém dirigir». O Portugal Marca vai funcionar como “chapéu” para o sistema de promoção do turismo e das marcas portuguesas de bens e serviços, ambos já operacionais. Liderado directamente pelo ministro da Economia, Manuel Pinho, o processo de criação de uma marca país e a sua promoção foi anunciado em Outubro do ano passado (ver notícia no Portugal Têxtil). Na altura, o Ministério promoveu uma série de conferências temáticas, chamando os empresários mais representativos, com o objectivo de recolher contributos para a definição de uma estratégia de alavancagem da imagem do país no estrangeiro. Depois disso, o ICEP foi encarregue de promover um concurso para a escolha da agência responsável pelo sistema de comunicação e posicionamento da marca, cujo vencedor foi a BBDO. Apesar de ter sido noticiado que o lançamento poderia ocorrer em Abril, aquando da visita do primeiro-ministro em Angola, o secretário de Estado do Comércio afirma que o plano de acção só tem condições para arrancar depois do Verão. O Portugal Marca «é um dossier complexo» e «um projecto de médio e longo prazo», que está a ser gerido pelo ICEP e «terá de ser o novo responsável a avançar com ele», afirmou. O que se pretende com o Portugal Marca é «que haja uma nova visão» do país, para que isso «possa arrastar qualidade e incentivo de inovação aos nossos produtos e também alavancar maiores exportações», adiantou ainda. Para Fernando Serrasqueiro, a imagem que existe hoje de Portugal «é ainda de um país pouco conhecido pelos seus projectos inovadores ou pelos produtos que têm valor acrescentado». Como salientou, «é essa a imagem que queremos modificar», para que se veja «o Portugal moderno, mais criativo, inovador, mais ligado às novas tecnologias». O secretário de Estado recordou que existem provas que Portugal aparece «na linha da frente num conjunto de produtos, mas depois a imagem que se tem destes produtos não é a do país». E rematou: «O projecto está a ser lançado e durante as férias de Verão não é a melhor altura» para avançar.ICEP já certificou 72 empresas com marca O ICEP já certificou 84 marcas com projecção internacional. No total, são 72 as empresas que receberam o certificado no âmbito do Programa Marcas Portuguesas, garantindo assim a possibilidade de usar o logótipo identificador da Marca Portugal, bem como aceder a um conjunto de apoios à promoção no exterior. Estes membros do Clube das Marcas Portuguesas reuniram-se com responsáveis do ICEP, para «uma avaliação dos serviços e do que se pretende para o futuro». Segundo Teresa Carvalho, directora da Unidade de Comunicação e Marketing do ICEP, «O 1º Fórum do Clube das Marcas Portuguesas é uma reunião de trabalho reservada às marcas certificadas. Um momento de reflexão e análise. Vamos auscultar e mostrar algumas iniciativas». Do lado do ICEP, sublinha a responsável, a preocupação dominante vai ser a de estimular «as empresas a funcionar como motor do programa». A ideia é criar «uma frente conjunta entre as marcas portuguesas mais internacionais», explica, recorrendo a um caso espanhol para exemplificar a atitude que o ICEP quer incutir nos membros do Clube: «se for aos hotéis Sol Mélia, só vê Freixenet. Não vê marcas francesas». «A mensagem é parcerias e mais iniciativa», diz. Em cima da mesa do Fórum estará a criação de uma associação de marcas «importante para ganhar escala». Quanto ao papel do ICEP, também em discussão no Fórum, «promove e amplifica as marcas. Faz acções de promoção, de comunicação, de produção de informação de acesso a mercados». Lançou um site e um livro das marcas, «um instrumento de prestígio para distribuir na rede diplomática, promover o Portugal das Boas Marcas». No âmbito do apoio técnico conquistado pelas empresas certificadas está também previsto o acesso a consultoras com as quais o ICEP tem protocolos de cooperação. A este lote, juntam-se os apoios financeiros disponíveis no PRIME (Programa de Incentivos à Modernização da Economia). O Programa Marcas Portuguesas (PMP) «é um subconjunto da marca país», explica Teresa Carvalho. Até final do ano, o ICEP espera ter 120 empresas no PMP. Será uma «pesquisa mais cirúrgica», admite. Nesta altura, «temos um grupo de grande potencial, estão todas as marcas inquestionáveis». Entre as 84 marcas já classificadas, há as de grande consumo, como a Tap, a PT ou o Mateus Rosé, e aquelas, cuja reputação se restringe aos mercados especializados, como é o caso da Iberomoldes, Critical Software ou da Enabler, entre outras. Para a certificação, as empresas têm de ter produtos/serviços de qualidade, política de marca e distribuição própria.