Produtos sustentáveis – Parte 1

Dentro do sector de vestuário, o diálogo sobre a sustentabilidade tem-se concentrado na produção de “produtos verdes”, na utilização de métodos de processamento de têxteis e em estratégias da cadeia de fornecimento que reduzem o impacto ambiental do sector. Mas, quando começamos a pensar na sustentabilidade em termos mais amplos, a fase de concepção e desenvolvimento fornece um novo ponto-chave no ciclo de vida do produto que é digno de um olhar mais atento, conforme nos relata Maguire Kerry King do [TC]², um conhecido centro tecnológico norte-americano. Qual é a visão para o desenvolvimento sustentável do produto e como é que a tecnologia apoia esta visão? Com esta pergunta em mente, os investigadores na área de desenvolvimento do produto da [TC]² estão a direccionar as suas investigações para sistemas emergentes que sustentem a noção de “mais leve é verde”. Reduzir as repetições no desenvolvimento e criar transições eficientes para o fabrico, são alguns dos aspectos importantes a considerar para uma maior sustentabilidade. Assim, a simulação de produtos em 3D, a comunicação electrónica de design, bem como os métodos digitais para a impressão e tingimento são componentes-chave desta iniciativa de investigação. Visualização e comunicação 3D As ferramentas de software para a visualização tridimensional de peças de vestuário estão disponíveis há muitos anos. Estes sistemas suportam a utilização de avatares virtuais (seres humanos digitais ou réplicas) como modelos, utilizando dois padrões dimensionais digitalizados ou criados num sistema CAD. Estas aplicações foram desenvolvidas para serem utilizadas por responsáveis de desenvolvimento do produto e não tanto pelos consumidores, estando intimamente ligadas ao sistema de desenvolvimento de padrões. No mercado, estão disponíveis as ofertas dos principais fornecedores na área de CAD, incluindo Lectra (Modaris 3D Fit), Optitex (3D Runway Suite), Tukatech (e-fit Simulator), Assyst/Bullmer – recentemente adquirida pela Human Solutions (Vidya) – ou GCL Distribution (distribuidor de produtos da PAD System e Haute Couture 3D). O processo de criação da simulação 3D envolve, por norma, a união virtual de padrões 2D. Na maioria dos casos, o utilizador pode seleccionar um conjunto genérico de avatares que podem ser personalizados em função das dimensões e forma do corpo, para melhor reflectir o cliente-alvo ou os atributos do “modelo de prova”. As texturas do tecido podem ser aplicadas na peça de vestuário, assim como a forma de cair do tecido, para melhorar a estética da visualização. Quando a peça de vestuário estiver completa, o utilizador pode rodar a figura para rever o posicionamento das costuras e as características do projecto, como os bolsos. Uma série de soluções de suporte permitem visualizar áreas de stress e folga do tecido, em relação ao avatar que está a ser vestido. Em alguns casos é também possível utilizar ferramentas de desenho para ilustrar as alterações ao estilo e adicionar notas à renderização em 3D. Com o apoio de visualizadores 3D, esta renderização pode ser enviada para o desenvolvimento remoto e parceiros industriais, de forma a fomentar uma comunicação mais clara entre as partes. Em desenvolvimentos relacionados, a [TC]² projectou novas tecnologias para apoiar as aplicações virtuais de moda, uma para uso directamente com digitalização 3D do corpo e outra para uso on-line ou sempre que um scanner de corpo NX-16 3D da [TC]² não estiver disponível. Mas estas são duas questões a explorar na segunda parte deste artigo.