Produtores de lã do Lesoto recebem apoio

Um novo projeto no valor de 72 milhões de dólares está a ser lançado para proteger os rendimentos dos produtores de lã no Lesoto, atualmente em dificuldades para lidar com os impactos das alterações climáticas.

[©FIDA]

O Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) das Nações Unidas e o Reino do Lesoto assinaram um novo acordo de financiamento destinado a melhorar os meios de subsistência dos agricultores de lã deste país da África Austral. O novo projeto visa aumentar a resiliência económica e climática de 225.000 pessoas que vivem em áreas rurais.

O chamado Projeto de Competitividade da Cadeia de Valor da Lã e Mohair (WaMCoP) tem uma duração de sete anos e tem como objetivo promover o crescimento económico inclusivo e sustentável e ajudar a criar empregos no sector privado, nomeadamente para mulheres, que habitualmente não estão envolvidas no sector, mas que representarão 50% dos participantes do projeto, enquanto os jovens representarão 35%.

«O FIDA tem sido um ator fundamental no desenvolvimento da cadeia de valor da lã e do mohair no Lesoto, mas para que o país mantenha a sua posição global como produtor de lã de boa qualidade, é necessário responder às exigências do mercado mundial», sublinha Edith Kirumba, diretora do mercado do Lesoto no FIDA.

«O WaMCoP é muito oportuno, pois ajudará o país a continuar a construir o sector, ao mesmo tempo que responde às novas exigências do mercado através de abordagens inovadoras, como a rastreabilidade e a produção ética e responsável, permitindo, deste modo, que os pequenos agricultores participem no sistema de mercado global», acrescenta.

A lã e o mohair desempenham um papel significativo na economia rural do Lesoto – que é o segundo maior produtor mundial de mohair –, representando 60% das exportações agrícolas e sustentando mais de 25% da população rural.

No Lesoto, a maior parte destas fibras provém de pequenos agricultores. Contudo, as alterações climáticas, o fornecimento pouco fiável de fatores de produção, o excesso de stocks e as más condições dos solos e das pastagens estão a afetar a produção. Estes desafios, aponta o FIDO, são ainda agravados pela falta de coordenação, ausência de um sistema de certificação, inexistência de dados para políticas e planeamento, capacidade limitada para responder às novas exigências do mercado e acesso insuficiente ao financiamento para os pequenos agricultores.

Para dar resposta a estas questões, o WaMCoP utilizará abordagens inovadoras, incluindo uma parceria com a Ethical Fashion Initiative, para ajudar a voltar a conceptualizar a indústria no país e estabelecer laços comerciais sustentáveis ​​para produtos intermédios e acabados de lã e mohair. Está ainda prevista a construção da marca Basotho para fibras de lã e mohair e a criação de um fundo para ajudar os agricultores e os intervenientes da cadeia de valor a aceder ao fornecimento de fatores de produção e a empréstimos em espécie. Adicionalmente, será criado O Fundo e Empresa para Lã e Mohair para reunir todos os atores da cadeia de valor para ajudar a governar o sector e garantir a sua viabilidade a longo prazo.