A indústria mundial produziu cerca de 139 milhões de toneladas de fibras em 2025, em comparação com 132 milhões de toneladas em 2024, estabelecendo um novo recorde. O aumento foi impulsionado principalmente pelas fibras sintéticas virgens de origem fóssil, cuja produção passou de 81 milhões para 86 milhões de toneladas num único ano, segundo a 13.ª edição do estudo da Textile Exchange.
Em 2000, a produção mundial rondava 58 milhões de toneladas, menos de metade do volume atual. Mantendo-se o cenário de continuação da tendência, a Textile Exchange estima que poderá alcançar 172 milhões de toneladas em 2030. Em termos per capita, a disponibilidade de fibras mais do que duplicou em meio século, de 8,3 kg por pessoa em 1975 para 17 kg em 2025, podendo chegar aos 20,4 kg em 2030.
Esta trajetória evidencia, segundo a organização, uma crescente distância entre o aumento absoluto da oferta de matérias-primas e os objetivos climáticos e ambientais assumidos pelo setor. O relatório identifica a dependência de sintéticos fósseis virgens e as limitações da reciclagem têxtil-a-têxtil entre os fatores que ameaçam comprometer esses compromissos.
Poliéster mantém domínio
O poliéster continua a ser a fibra mais produzida mundialmente, tendo aumentado de 77,7 milhões de toneladas em 2024 para 82,5 milhões de toneladas em 2025, embora a quota de mercado se tenha mantido em 59%, uma vez que a produção das restantes fibras também cresceu. No conjunto, as fibras sintéticas representaram 69% do mercado mundial, com 96,2 milhões de toneladas.
Também o poliéster reciclado registou um aumento, embora bastante mais moderado, de aproximadamente 9,4 milhões de toneladas para 9,7 milhões de toneladas. O crescimento mais rápido do poliéster virgem fez, contudo, com que a quota do reciclado diminuísse ligeiramente, de 12% para 11,8%.
A Textile Exchange revela ainda que cerca de 97% do poliéster reciclado produzido em 2025 teve como matéria-prima garrafas de plástico e outros resíduos não têxteis, com apenas cerca de 3% do poliéster reciclado a resultar de reciclagem têxtil, o que equivale a apenas 0,3% de todo o poliéster produzido mundialmente.
No total, as fibras de matérias-primas recicladas mantiveram uma quota de apenas 7,6% do mercado mundial em 2025 e a grande maioria corresponde precisamente a poliéster proveniente de garrafas. A produção baseada em resíduos têxteis pré ou pós-consumo continua próxima de 1% do mercado, representando entre um milhão e 1,5 milhões de toneladas
As misturas de fibras constituem uma das barreiras técnicas à reciclagem identificadas pela Textile Exchange, uma vez que combinações como algodão/poliéster ou a presença de elastano dificultam a recuperação das matérias-primas, embora estejam em desenvolvimento tecnologias, incluindo processos químicos, destinadas a separar e reciclar estas composições.
Algodão e celulósicas artificiais crescem
O algodão conservou o estatuto de segunda fibra têxtil mais produzida, com 25,7 milhões de toneladas em 2025 e uma quota de aproximadamente 18% do mercado mundial. Deste volume, 25,4 milhões de toneladas corresponderam a algodão virgem e cerca de 400 mil toneladas a algodão reciclado.
A produção abrangida por programas de certificação ou verificação analisados pela Textile Exchange aumentou de 8,4 milhões de toneladas, ou 35% do algodão virgem, na campanha 2023/2024, para aproximadamente 9,4 milhões de toneladas, equivalentes a 37%, em 2024/2025.
As fibras celulósicas artificiais (MMCF), que incluem viscose, liocel, modal, acetato e cupro, aumentaram a produção de 8,4 milhões para 9,1 milhões de toneladas, tendo passado de uma quota de mercado de 6% para 7%. Cerca de 65% a 70% destas fibras utilizaram matérias-primas certificadas ou controladas segundo os sistemas FSC e/ou PEFC, uma proporção praticamente estável face a 2024.
A viscose continua a dominar esta categoria, com aproximadamente 7,2 milhões de toneladas, equivalentes a cerca de 5% de todas as fibras produzidas no mundo.
As fibras animais, por seu lado, representam apenas cerca de 1% do mercado mundial. A lã de ovelha responde pela maior parcela, com aproximadamente um milhão de toneladas de fibra limpa e uma quota global de 0,7%.
Têxteis técnicos aceleram procura
Uma das principais novidades desta edição do Materials Market Report é a introdução de uma metodologia destinada a estimar onde são aplicadas as matérias-primas produzidas. Pela primeira vez, o estudo apresenta estimativas por utilização final, abrangendo vestuário, têxteis-lar, calçado, malas e têxteis técnicos. A Textile Exchange sublinha, contudo, que se trata de modelização baseada em dados cuja disponibilidade e qualidade continuam a apresentar limitações.
Os resultados apontam para uma transformação gradual na estrutura da procura. Entre as três maiores categorias de utilização final, os têxteis técnicos, que incluem aplicações automóveis, construção, produtos médicos, filtração, geotêxteis e não-tecidos para higiene, foram os que apresentaram o crescimento mais rápido entre 1990 e 2025, com uma taxa média anual estimada de cerca de 4,1%. Seguem-se os têxteis-lar, com 3,2%, e o vestuário, com 2,6%.




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