Produção de volta à Fitor

A especialista em fios sintéticos, que tem agora capital 100% português, retomou a produção própria de fios de poliamida e de poliéster, emprega 75 pessoas e está a investir na expansão da sua capacidade, que responde já por 90% das vendas, a grande maioria das quais realizadas nos mercados externos.

Texturização, torcedura, tinturaria, bobinagem e acabamentos fazem parte dos processos produtivos em pleno funcionamento na Fitor. A especialista em fios de fibras sintéticas conta já com uma capacidade de produção de 70 toneladas mensais – dividida entre poliamida (50 toneladas) e poliéster (20 toneladas) – e uma equipa de 75 pessoas, mas os objetivos são de crescimento. «Estamos a adquirir novas máquinas para aumentar a capacidade, para sermos mais eficientes», revelou o CEO António Pereira ao Jornal Têxtil, num artigo publicado na edição de março (ver Vestuário dá corda às exportações). Em curso está um investimento em novas tecnologias, com «máquinas mais eficientes, mais económicas, mais sustentáveis, que ajudem a produzir mais com menos custos».

O crescimento, contudo, tem uma estratégia diferente de quando a empresa era detida por um grupo alemão, que chegou a deslocalizar a produção. «Saímos um bocado das commodities, do fio cru, e o objetivo é o fio acabado. É uma Fitor ainda mais posicionada no valor acrescentado, na inovação, no serviço ao cliente, no que é mais diferenciador», sublinhou António Pereira.

Com dois anos desta nova vida – um renascimento iniciado em novembro de 2014 e que, no final de 2017, deverá contabilizar, no total, 2 milhões de euros de investimento –, a empresa tem atualmente uma quota de exportação de 70%, com um leque de mercados diversificado, embora concentrado na Europa. «Os negócios que temos são de rapidez e de proximidade», explicou o CEO. «Os malheiros recebem a encomenda para entregar daqui a um mês, portanto, têm de ter o fio antes desse período, com as cores que interessam», exemplificou. Além dos países europeus, a Fitor serve ainda clientes no Norte de África, Turquia, América Central e América do Norte.

«No geral, o mercado tem recebido bem esta nova Fitor, porque sabe da qualidade e do know-how que existia, porque somos dos mais conhecidos no poliéster e, sobretudo, na poliamida – o mercado sabe a nossa capacidade e o nosso conhecimento», afirmou António Pereira.

Este reconhecimento tem permitido um crescimento nos últimos dois anos e abre boas perspetivas para 2017, apesar do ano estar ainda a começar. «As expectativas são crescer, no mínimo 10%, mas penso que poderemos chegar aos 20%», apontou o CEO. «Estamos nos sete milhões de euros e vamos tentar chegar aos 8 milhões de euros», indicou. O crescimento, contudo, poderá ser condicionado pelo desenvolvimento económico, nomeadamente no que diz respeito ao aumento do preço das matérias-primas e a evolução dos câmbios, mas também político, com as eleições em países como França e Alemanha a poderem afetar a evolução dos negócios. «Há muitos fatores de instabilidade», afirmou António Pereira. No entanto, acredita, «o mercado nacional está a crescer e a têxtil também vai crescer porque somos bem vistos na Europa. E se a Europa crescer, crescemos diretamente e crescemos através dos nossos clientes portugueses, que são muitos e também exportam».

Com a retoma de produção a todo o gás, os próximos passos passam por uma atenção ainda maior à inovação. «Agora que as coisas estão a ficar estáveis é fundamental preparar coisas novas e estamos a trabalhar nisso. Na Techtextil [feira de têxteis técnicos e não-tecidos] esperamos ter alguns desenvolvimentos», adiantou o CEO da Fitor ao Jornal Têxtil.