Produção de vestuário arrasada no Haiti

O sector de vestuário, que é crucial para o Haiti, viu a sua produção cair de 50% a 70%, na sequência do terramoto que assolou o país, de acordo com executivos do sector. Segundo estes responsáveis, a retoma da actividade vai demorar pelo menos três meses. «A situação é muito crítica e está ainda a ser avaliada», afirmou Fernando Capellan, dono do Grupo M, fabricante dominicano de têxteis, que possui uma fábrica com 4.000 trabalhadores na extremidade Norte da ilha. O Norte do Haiti não foi tão danificado como a capital Port-au-Prince. Por isso, a empresa do Grupo M tem trabalhado em plena capacidade, segundo Capellan. No entanto, o responsável referiu que o terramoto destruiu muitas outras fábricas e que o principal porto do país está paralisado, mantendo parada a maior parte da sua produção. Um dos produtores mais afectados foi o Palm Apparel Group, segundo o qual centenas de trabalhadores foram soterrados quando uma das suas fábricas desmoronou, no pior terramoto registado no país em 200 anos. De acordo com uma fonte, a empresa de vestuário Quick Response, também foi duramente atingida e «provavelmente nunca vai reabrir». Mike Todaro, director da American Apparel Producers Network (APPN) revelou que «poderá levar pelo menos um mês para o porto principal reabrir», acrescentando que «cerca de 70% da produção do país está estagnada. O local não foi tão duramente atingido como muitos pensavam e o governo está a apressar-se para reconstruí-lo, de forma a receber muito material médico necessário para o país tragicamente devastado». Um porto inoperante significa que os produtores precisam de deslocar as suas mercadorias por camião para a fronteira com a República Dominicana, uma tarefa que é difícil de conseguir, pois muitas estradas estão paralisadas e lotadas com milhares de refugiados que procuram ajuda através da fronteira. Mas, apesar da tristeza, os executivos estão optimistas no regresso à normalidade em poucos meses. No entanto, afirmaram que o impacto real do terramoto vai atrasar os muito necessários melhoramentos à infra-estrutura do Haiti. O Haiti produz principalmente t-shirts, roupa interior e uniformes para exportação para o mercado norte-americano. A confecção é um dos principais sectores económicos do país, o mais pobre do Hemisfério Ocidental. «Muito do que existe é produção ligeira com maquinaria básica que pode ser restaurada rapidamente», afirmou Capellan, acrescentando que «a maior parte da produção deverá ser retomada no prazo de três meses, pois os maiores fabricantes não foram afectados». No entanto, o governo do Haiti vai precisar trabalhar arduamente para recuperar o investimento no sector, que estava previsto aumentar após a recente aprovação da legislação HOPE II Act (Haitian Hemispheric Opportunity through Partnership Engagement), que permite aos produtores importar matérias-primas a preços mais baixos ou isentas de taxas alfandegárias. «O Estado vai ter de introduzir incentivos fiscais para motivar as empresas a re-investir e vão precisar de fazer algumas reformas», referiu um observador anónimo. «Também estamos a pedir aos países desenvolvidos, onde esses fabricantes estão sedeados, para fornecerem incentivos para ajudar o Haiti a sair desta catástrofe», prosseguiu. Muitos produtores norte-americanos, mexicanos e de outras nacionalidades, estavam a aumentar os investimentos no Haiti, devido aos benefícios fiscais. «Muitos tinham a esperança que esta legislação ajudaria a trazer o Haiti para fora da obscuridade», explicou Todaro, concluindo que «grande parte dos investimentos previstos verá agora atrasos significativos, à semelhança da esperança do país de melhorar a sua economia em declínio».