Produção de fibras bate novo recorde

No ano passado, foram produzidas 116 milhões de toneladas de fibras, das quais 67 milhões de toneladas correspondem a fibras sintéticas virgens de origem fóssil. Ambos os números são os mais elevados de sempre.

[©Textile Exchange]

Os dados do mais recente Materials Market Report, da Textile Exchange, revelam um aumento na produção de fibras de cerca de 4 milhões de toneladas face a 2021, com a organização não-governamental a antecipar, se se mantiverem as mesmas condições, a continuação do crescimento até 2030, altura em que a produção de fibras deverá atingir 147 milhões de toneladas.

Apesar do aumento relativo das fibras naturais – que, em conjunto, representaram cerca de 28,6% do total, equivalente a 33,4 milhões de toneladas –, a produção de fibras sintéticas virgens de base fóssil subiu de 63 milhões de toneladas para 67 milhões de toneladas, com o poliéster a continuar a ser a fibra mais produzida, representando, em 2022, 54% da produção total de fibras – a mesma quota que em 2021 –, equivalente a 63,3 milhões de toneladas. A poliamida representou 5% das fibras produzidas no ano passado, ou 6,2 milhões de toneladas.

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A produção de fibras de algodão, que é a segunda fibra mais representativa em termos de volume, aumentou para cerca de 25,2 milhões de toneladas (em 2021 a produção foi de cerca de 24 toneladas), 27% do qual produzido com algum cuidado ao nível da sustentabilidade, incluindo-se aqui comércio justo, orgânico ou com certificação BCI.

Na lã, a produção manteve-se relativamente estável, rondando um milhão de toneladas de fibra limpa em 2022.

No caso das fibras artificiais, incluindo viscose, liocel, modal, acetato e cupro, a produção aumentou para 7,3 milhões de toneladas em 2022, face às 7,2 milhões de toneladas em 2021. A produção feita com materiais certificados como tendo uma gestão sustentável das florestas representou 60% a 65% de toda a produção, mas a Textile Exchange destaca que a área de floresta certificada baixou para 10% (em 2021 era de 11%), dendo continuar a cair apos a proibição de utilização de madeira proveniente da Rússia, Bielorrússia e Ucrânia por causa da guerra.

Recicladas em queda

Já nas fibras recicladas, destaca a Textile Exchange, há uma ligeira queda, de 8,5% em 2021 para 7,9% em 2022. «Isso deve-se sobretudo a uma descida de quota de mercado do poliéster reciclado – 99% do qual era feito de garrafas de plástico – de 15% em 2021 para 14% em 2022», aponta a organização, acrescentando que «os motivos para esta diminuição incluem a crescente concorrência de garrafas PET como matéria-prima, juntamente como os desafios sistemáticos de escalar a reciclagem do têxtil para o têxtil». Aliás, sublinha, «menos de 1% do mercado mundial de fibras foi proveniente de têxteis reciclados pré e pós-consumo em 2022».

No caso da poliamida, apenas 2% das fibras produzidas foram provenientes de processos de reciclagem. «Sendo a segunda fibra sintética mais usada, a poliamida pode representar uma alavanca significativa para melhorar o impacto ambiental se os produtores mudarem para poliamida reciclada ou de base bio», destaca a Textile Exchange.

Estes resultados, acredita a Textile Exchange, mostram a necessidade de acelerar a mudança generalizada para fibras de fontes preferíveis, duplicar os esforços para rapidamente reduzir a utilização de materiais virgens de origem fóssil e investir em estratégias que desagreguem a criação de valor da extração de novos materiais.