Primeiros golos!…(parte II)

5-Endutex revestecadeiras

AEndutex também entrou em campo. Os seus tecidos revestidos “ves-tiram” não só as cadeiras ignífugas e anti-UV das bancadas VIP dos estádios do Dragão e do Alvalade XXI, como muitos dos painéis publicitários do evento que se encontram no nosso país e a bola gigante que será utilizada na cerimónia de abertura.

«Um evento desta dimensão é sempre importante, pois be-neficia não só ao nível do volume de negócios como em termos da imagem da própria em-presa», afirma Carlos Magalhães, responsável de Produto da Endutex, ao Jornal Têxtil. 

6-Riopele vestefranceses

A Riopele prova porque é conhecida comotrend-setter na moda do segmento dos tecidos a nível internacional.

A empresa têxtil de Pousada de Saramagos, em Vila Nova de Famalicão, foi a empresa escolhida para fornecer os tecidos para osblazers do uniformesport da selecção francesa que, em ocasiões mais informais, veste português.

7-Nike Portugal colocaencomendas

As camisolas da nova linha Total 90 das selecções de futebol produzidas pela Nike pre-tendem a Distracção Zero dos jogadores na exe-cução dos seus objectivos nos 90 minutos, aliadas ao conforto e à melhoria do seu rendimento.

Os jogadores de dez nacionalidades, quatro das quais presentes no Euro 2004 (Portugal, Holanda, Rússia e Croácia, aos quais se acrescentam o Brasil, México, EUA, Turquia, Bélgica e Coreia), têm o privilegio de jogar com camisolas de 155 gramas, com as suas componentes unidas por um tecido laminado, portanto sem costuras e sem o respectivo atrito na pele.

Acrescente-se ainda um tratamento de impermeabilização que os protege da chuva, e com regulação da temperatura asse-gurada por uma capa de poliéster elástico, com uma rede fina à volta do pescoço e dos ombros, e uma mais larga debaixo dos braços, para aumentar a ven-tilação nas áreas onde se concentra o calor.

Os jogadores podem usar apenas esta camisola exterior, ou complementá-la com uma interior que, com a tecnologia Dri-Fit ou Nike Sphire, eliminam o suor pelo tecido e evapora-o pela circulação de ar que permite.

A gama Total 90 completa-se com um a linhaTrainning, um equipamento de treino em que a mesma tecno-logia e vantagens podem ser encontrados em tops sem mangas ou casacos de aquecimento.

Os equipamentos da Nike são produzidos por uma empresa portuguesa de Matosinhos, sua representante há cerca de vinte anos.

 

8-Global X desenhoumochilas

Entretanto, surgiu o Euro Kit, uma iniciativa nacional de quatro sócios da Global Extra Solutions, uma empresa que pretende fornecer artigos para os grandes eventos mundiais. A empresa funciona num armazém perto do aeroporto de Lisboa, com mais 25 elementos, e os artigos são todos produzidos na China, mas com design português. «Gostámos que apre-sentassem esta mochila para todos os países envolvidos, incluindo os mercados mais pequenos», salientou Bernardo Carvalho, director comercial da Warner Bros, que licenciou o Kit. A mochila inclui uma bandeira do país, um pequeno colchão para se sentar, com as cores respectivas e que também serve para levantar e fazer de painel na bancada, um local para colocar a bebida, um mapa da cidade e uma caneta com lanterna.   

Citeve inventoucolete

9-Citeve inventoucolete

Enquanto que a Nike, a Adidas, a Puma, a Umbro e a Hummel vão equipar as 16 selecções do Euro 2004, o Citeve seleccionou a LMA, a Focor, a Horquim e a Carluc para equipar os adeptos, de-senvolvendo um colete multi-funcional que integra tecno-logias de informação e comunicação. «Além de inte-grar tecnologias de comu-nicação, este colete acres-centa novas funções aos ma-teriais, pensadas no conforto do adepto», sustenta Fernan-do Merino ao Jornal Têxtil. O colete, fabricado a partir de um fio 100% poliéster e cuja estrutura é uma malha de teia de dupla frontura, incorpora um rádio com comandos inte-grados na malha e assina-lados por estampagem portransfert (onde inclusive existe um botão que permite blo-quear o teclado, à semel-hança do sistema usado nos telemóveis, bastante conve-niente para os adeptos mais entusiastas) e auriculares fixos no próprio colete. Além disso, apresenta um sistema de ventilação e regulação da temperatura corporal, um boné regulável e ligado ao colete, um suporte amovível e ajustável para copo de be-bida, um bolso para colo-cação do telemóvel, uma abertura lateral e outra fron-tal para facilitar a remoção do colete, um efeito foto-crómio no estampado Portu-gal (a cor branca do estam-pado torna-se amarela por acção da luz solar ou da radiação UV), acabamentos anti-odores, anti-estáticos e repelente à sujidade.

Carlin analisatendências

Não é uma novidade a influência do desporto na moda e é mais que provável que umevento como o Euro 2004 venha a aumentar de alguma forma esta tendência nas próximas estações. Eventos da dimensão do Euro 2004 contam com uma grande cobertura dosmedia que amplificam os esforços publicitários das grandes marcas desportivas (já de si com estratégias de comunicação muito fortes). Os dados do sector publicitário são reveladores: prevê-se para 2004 um aumento até 4% nas despesas do mercado mundial de marketing epublicidade devido ao efeito das eleições presidenciais americanas, mas principalmente devido ao Euro 2004 e aos Jogos Olímpicos de Atenas.

O mercado dos artigos desportivos (vestuário, calçado e equipamento) com uma trajectória já muito positiva, dado que o sector cresceu 80% nos últimos 10 anos, vai sair significativamente beneficiado. O sector representa actualmente um volume de negócios de 190 mil milhões de dólares, sendo o sector de vestuário o que tem maior potencial de crescimento, o que não é de estranhar, dado que 80% da roupa desportiva que se compra não é para fins desportivos mas sim para o uso quotidiano.

De facto, a fusão dos estilos sport e cidade corresponde a uma necessidade actual dos consumidores. As noções deperformance, superação individual e trabalho em equipa são próprias do desporto, mas também fazem parte do nosso dia-a-dia urbano. Dentro deste espirito transversal, os códigos, grafismos e cores do desporto animam e trazem energia aos produtos citadinos. Também é graças ao desporto que chega a inovação na moda e no têxtil. O último exemplo é o do blusão The Hub, da O’Neill, que integrou na peça um leitor de MP3 e um módulo Bluetooth de telefone móvel, materializando desta forma o sonho do vestuário comunicante.

Também é interessante constatar actualmente o fenómeno inverso, ou seja, a influência da moda no desporto. São cada vez mais os criadores que dão o seu contributo moda aos produtos das grandes marcas de desporto: Yohji Yamamoto lançou com a Adidas a linha Y3 e Philippe Starck assinou uma linha de sapatilhas de basquete para a Puma. Depois da Chanel, a Dior lança uma linha completa de skiwear, e finalmente a marca de pronto-a-vestir Morgan lança este verão a Morgan Sport.

Outro fenómeno que não podemos deixar de lado, e directamente relacionado com o futebol, é o fenómeno Beckham, que encarna uma evolução capital no sector da moda masculina (ou o tão badalado fenómeno do metrosexual). Ele é o exemplo dos novos homens estetas e ultra sofisticados que, sendo heterosexuais, assumem a sua parte de feminidade e consomem, sem complexos, produtos de beleza, peças de criadores, acessórios e jóias.

Tudo leva a pensar que tanto o Euro 2004 como os 100 anos de Jogos Olímpicos vão seguramente provocar uma profunda reflexão sobre o desporto e sobre osportswear. Em termos de moda, a fusão do desporto e ocitywear e a proliferação de produtos híbridos virão também acompanhados pelo retorno duma elegância desportivaretro, tanto para a moda masculina como para a feminina: é toda uma oportunidade para indústria, seja ela de vestuário desportivo ou de pronto-a-vestir.