A nossa selecção só entra em campo no dia 12 de Junho mas a ITV nacional já começou a marcar pontos, a pensar no Euro. Nesta edição
do JT dedicamos o tema de capa ao maior acontecimento desportivo jamais realizado em Portugal e fomos descobrir os nove golos que a nossa indústria já marcou. Portugal também faz bem nos preliminares…1-Isilda fez osuniformesA estilista Isilda Pelicano venceu o concurso internacional para o design, confecção e distribuição dos uniformes para o Euro 2004, com a inerente responsabilidade de vestir cerca de 1.250 pessoas, (em que se considerarmos que em média cada pessoa vai vestir sete peças, entre vestuário e acessórios, falamos de 10 mil peças produzidas e distribuídas), envolvendo desde membros do Comité Executivo da UEFA, elementos do Conselho de Administração do Euro 2004, árbitros e assistentes deste evento, e todo o staff envolvido desde o gabinete de imprensa à Federação Portuguesa de Futebol.Dada a tradição e qualidade têxtil nacionais, uma das mais importantes valias deste projecto vencedor é a utilização de materiais nacionais e da confecção portuguesa: «os tecidos são de muito boa qualidade, de fibras naturais, sendo a Camisaria em 100 por cento algodão oriunda da ARCOTêxteis, uma referência em camisaria, e o restante tecido fabricado em 100 por cento lã, uma lã fria, com diferentes fiações, consoante o tipo de padrão diferenciador dogrupo a que se destina.Este tecido foi fabricado pela FINOS de Portalegre, fábrica que infelizmente fechou, e que ao longo dos anos que connosco trabalhou demonstrou uma enorme capacidade técnica de inovação e produção», salienta Isilda Pelicano ao Jornal Têxtil (JT).O Uniforme Oficial do Euro 2004 é identificado com o evento «por meio de um logótipo bordado ton-sur-ton» nos casacos e nas camisas, e distingue-se pelas «linhas clássicas e sóbrias com alguns cortes – no vestuário feminino – mais modernos e joviais», adianta Isilda Pelicano.Como todo este projecto envolve a concepção de uniformes para várias categorias profissionais, como era dirigido a um conjunto de faixas etárias diversificado e como os pressupostos no Caderno de Encargos do projecto impõem igualmente as suas regras, a estilista estava perante um desafio acrescido.«Um projecto de fardamento tem que ter em consideração o tipo de cliente, a imagem que pretende veicular, o tipo de utilizador e a função que vai desempenhar. Ora a maioria dos utilizadores do uniforme do Euro 2004, são colaboradores que executam tarefas administrativas e de representação, cuja imagem se pretendia sóbria e elegante. Há contudo umgrupo – os assistentes homem e senhora que, por abrangerem uma faixa etária mais baixa, permitiu que fosse criada uma linha mais arrojada, quer ao nível da cor, quer dos cortes e pormenores». Os únicos elementos participantes no jogo que vestem o Uniforme Oficial são os árbitros, «que foram objecto de uma diferenciação, pois é umgrupo mais jovem e de porte mais atlético, o que permite um tipo de corte e de tecido mais moderno».Como a estilista também garantiu nas fases a jusante da criação, viu-se envolvida no planeamento destas áreas, em que «houve uma primeira fase bastante complexa de tomada de medidas, complexidade essa que advém do facto de mais de metade dos 1.250 elementos serem não residentes em Portugal. A partir daí, foi uma questão de planeamento do fabrico de tecido e da confecção com os nossos parceiros, de modo a que todos os padrões de qualidade e prazos fossem integralmente respeitados.Relativamente à distribuição «foi implementado um processo de entrega personalizada, em cooperação com o nosso cliente, que incluía inclusivamente o apoio pós-entrega para resolução de qualquer ajuste que se viesse a verificar». O projecto encontra-se praticamente finalizado, dado que «neste momento está entregue a quase totalidade dos uniformes, prolongando-se contudo até Junho uma fase de pequenos ajustes e reposições».Mas o trabalho da estilista nacional para este evento não se esgota nos uniformes, pois «vamos vestir um conjunto de jovens – rapazes e raparigas – que vão efectuar uma coreografias nos momentos que vão anteceder a entrada das equipas nos diversos jogos do Campeonato Europeu. Trata-se de um vestuário de linhas mais desportivas, com predominância de cor de modo a que, das bancadas, se possa ter uma percepção dos seus movimentos no relvado», acrescenta Isilda Pelicano ao JT. 2-Lousafil produzfardasA Lousafil, empresa têxtil de Lousada especialista em vestuário de trabalho, de protecção e de segurança, grande sensação nos recentes Fóruns Têxteis de Futuro realizados na Modtissimo, também deu o seu contributo a este grande evento produzindo os fatos ignífugos que a PSP vai usar. Depois de ganhar uma proposta de produção de um fato inteligente de bombeiro para a Agência Europeia Aero-espacial, o I-Garment, produz estes fatos que são, como o nome indica, à prova de fogo, e seguem as especificações ditadas pela própria PSP.3-Dielmar fabricouosfatosA Dielmar, uma das maiores empresas nacionais de confecção, efectuou uma parceria com a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e apresentou a sua «Marca de Selecção», uma linha exclusiva de fatos para os jogadores não só da selecção A, mas também da selecção de sub 21, e dos mais jovens, incluindo o futebol feminino e o Futsal.Serão 50 fatos para a selecção A que estará também presente no Euro 2004 , e «que serão entregues até finais de Maio, juntamente com os que faltarem aos elementos da federação, e vão ter uma apresentação oficial a agendar pela FPF», adianta Luis Filipe Rafael, o administrador da empresa de Alcains, em Castelo Branco, ao Jornal Têxtil.Para a sua concepção, a empresa foi conversando com alguns jogadores Luís Figo, Jorge Costa, Costinha e Fernando Couto , com intermediação da FPF, «para escolherem, dentro da variedade que lhes fomos apresentando, o tecido, as camisas, os sapatos, a gravata, e acordarem connosco pormenores do corte doblazer e das calças». Os fatos serão feitos com os tecidos italianos de pu-ra lã e super finos , com que costumam trabalhar, são desenhados pelo estilista da empresa também italiano Aldo Bonelli, e apresentam o símbolo da FPF e o símbolo de Portugal.O projecto está avaliado em 150 mil euros.4-T. Novas forneceutoalhasA Warner Bros. Consumer Products foi a empresa que a UEFA escolheu para atribuir as licenças de produção e distribuição dos já cerca de 3000 produtos oficiais alusivos ao Euro 2004, numa panóplia de escolhas de brinquedos, relógios, porta-chaves, cerâmica, calçado, vestuário e textil-lar, entre outros. Através de uma mega operação demerchandising inédita no mundo do desporto-rei, pretende-se que os apelativos artigos divididos pelas categorias de National Pride, Street, Fashion, Event, Photographic e Kinas Character- consigam imbuir ainda mais os adeptos no espirito deste grande evento internacional.Dos 40 licenciados, a Warner Bros tem um licenciado do segmento têxtil e vestuário: a empresa francesa CIE & DND, que assegura a produção e a distribuição nos vários mercados dos países intervenientes, de uma gama de T-shirts, cachecóis, bonés, fatos de treino, pijamas e toalhas de praia. Num país com tradição têxtil como o nosso, este aparente paradoxo sucede porque quando começaram a estudar as potenciais empresas para distribuir estes produtos, e recordemo-nos que o mercado principal é Portugal, mas têm de trabalhar com uma empresa que assegure a distribuição em todos os mercados envolvidos no evento, incluindo nos mais pequenos , nenhuma empresa nacional conseguia assegurar este grande esforço de distribuição, pois «há requisitos mínimos a satisfazer neste tipo de processos e a melhor proposta foi francesa», adiantou Bernardo Carvalho, director comercial da Warner Bros, ao Jornal Têxtil. «A empresa que distribui estes produtos no nosso país é a Malhas Colifer, de S. João da Madeira. A empresa tem feito um excelente trabalho. A produção das toalhas de praia é da responsabilidade da empresa portuguesa Torres Novas». (Cont.)











