Primeiro Balanço da Liberalização

Os países asiáticos com excepção da China perderam quota nas importações da U.E. de artigos de vestuário. Esta é uma das conclusões das estimativas do IFM (Institut Français de la Mode). Apesar de as previsões estimarem uma queda das importações do gigante asiático nas categorias sujeitas a quotas em 2006, as importações das outras categorias deverão manter-se dinâmicas afectando negativamente os pequenos países asiáticos concorrentes (com excepção da Índia).

De acordo com os mesmos dados, as importações de vestuário da U.E. deverão ascender a 51 mil milhões de euros em 2005, correspondendo a um aumento de 4% face ao ano transacto. No entanto, as importações da China cresceram a taxas muito superiores neste primeiro ano sem quotas. As entradas de vestuário de tecido oriundo deste mercado deverão aumentar 44%, atingindo uma quota de 36% do total importado pela U.E. contra os 25% de 2003. No vestuário de malha as previsões são ainda mais elevadas sendo esperado um aumento de 64%, correspondendo actualmente a cerca de 30% das importações da U.E. 

 

O aumento da quota chinesa reflectiu-se numa queda dos outros principais parceiros comerciais europeus, em particular os pequenos países asiáticos, que no seu conjunto perderam 7,7%. Adicionalmente, os parceiros da Europa de Leste extra-U.E. e do norte de África também foram afectados negativamente. Segundo os dados do IFM, a Roménia, por exemplo, deverá verificar uma queda de 2 p.p. de quota nas importações de vestuário comunitárias enquanto Marrocos caiu de 5,3% em 2003, para 4,9% em 2004, sendo esperada uma redução de 0,6 p.p. em 2005. A Tunísia, por fim, passou de uma quota de 5,9% em 2003 para 5,3% em 2004 sendo de prever que esta tendência de queda se mantenha em 2005 com uma diminuição de 0,5 p.p. Excepção seja feita para a Turquia, que deverá permanecer relativamente imune ao aumento da concorrência do gigante asiático, pelo menos em 2005, uma vez que deverá verificar uma quota de 15,5% nas importações da U.E. em 2005 que compara com os 15,6% de 2004.

O IFM apresentou também a análise do impactodas aplicação das medidas de salvaguarda sobre os fluxos oriundos da China. De acordo com as estimativas do instituto, as importações da China abrandaram significativamente após a aplicação das medidas de salvaguarda. De facto, as entradas das categorias sobre quotas atingiram mais de 1 milhar de milhão de euros de Janeiro até meados de Junho antes da conclusão do primeiro acordo com a China; contudo, do meados de Junho até final do ano estima-se que as importações das categorias restritas caiam para os 548 milhões de euros.

 

As previsões para 2006 apontam também para uma redução das importações destas categorias em resultado do acordo bilateral assinado entre Bruxelas e Pequim. De 1,58 mil milhões de euros em 2005, deverão cair 11,5% para os 1,4 mil milhões no próximo ano.

De referir que as importações sujeitas a quotas representam 35% das importações totais comunitárias da ITV com os restantes 65% a serem importados da China sem qualquer limite. Neste contexto, o efeito da reposição das quotas será limitado mesmo que se verifique a previsível redução das importações das categorias sujeitas a quotas em 2006. Ainda assim, a imposição de quotas conduzirá os retalhistas europeus a procurar outras origens para além da China, suavizando o efeito da liberalização sobre os pequenos parceiros situados no leste europeu, no norte de África e na Ásia.

Importações Comunitárias de Vestuário: Quotas de Mercado

U.E. 25

 

2003

2004

2005

China

21,5%

22,9%

33,2%

Ásia (excepto China)

31,0%

32,0%

25,0%

Turquia

15,8%

15,6%

15,5%

Marrocos

5,3%

4,9%

4,3%

Tunísia

5,9%

5,3%

4,8%

Fonte: Estimativas IFM, Tratamento: Observatório Têxtil do CENESTAP