Primazia da cor em Paris

Os bons negócios voltaram a encher o Paris Le Bourget na última Texworld. 13.733 visitantes acorreram a uma das principais feiras de tecidos mundiais para conhecer em primeira mão as propostas para a estação quente de 2010. Um número inferior em 15% ao da edição anterior mas que, no entanto, não choca a organização da feira, a cargo da Messe Frankfurt. «Todas as feiras de têxtil e vestuário acusaram uma baixa do seu visitorado entre 15% e 20%, desde o início do ano», sublinha Michael Scherpe, director da Texworld. «Com menos 15%, estamos na média». Com efeito, a feira parece resistir relativamente à crise mundial graças à qualidade do clima de negócios que reinou. Um inquérito realizado no último dia da feira mostrou que 70% dos expositores estavam satisfeitos. Também o número de expositores diminuiu (800 em Setembro último, 660 em Fevereiro), uma mudança que, de acordo com a organização, pode mesmo «ser salutar», que considera que a oferta está assim melhor adaptada. «Tencionamos, de qualquer forma reduzir o número de metros quadrados comercializados», comenta Michael Scherpe. «Com uma oferta mais concentrada e melhor segmentada, cada expositor tem mais hipóteses de fazer negócio». A japonesa Uni Textile, que deseja dar-se a conhecer no mercado europeu, regozija-se com esta edição da feira. «Respondemos rapidamente às encomendas e entregamos em prazos rápidos. é a nossa vantagem em relação a outros». O interesse dos compradores pela flexibilidade das empresas é, com efeito, uma outra tendência forte nesta feira. Da mesma forma, a turca Zürmküt Tekstil teve uma excelente edição e conta voltar. «Para além de uma viscose de excelente qualidade, propomos um serviço muito reactivo, com a possibilidade de comprar pequenas quantidades. Trabalhamos apenas sob encomenda. Os clientes podem mesmo escolher o seu transportador, se quiserem». No sector do denim, a maior parte dos expositores mostrava-se satisfeita. O grupo belga-indiano Raymond Uco Denim, confirma que viu menos pessoas, mas «os que nós recebemos são clientes sérios, não curiosos», comentou o director de vendas. «São atraídos pelas nossas novidades e sentem-se seguros com as garantias que oferecemos». O director de marketing da especialista paquistanesa de denim Soorty mostrou-se maravilhado, como revelou ao Journal du Textile. «Esta feira é formidável. Vamos trabalhar com a Promod, a Salsa, a Gloria Vanderbilt, a Jones Jeanswear, a Sheeba, a Dorothy Perkins. Somente grandes empresas». A maior parte dos expositores de tecidos mostraram-se, com efeito, satisfeitos. «A feira foi melhor do que da última vez. é melhor com dois halls do que com três. E vimos clientes que têm realmente a intenção de comprar», refere um responsável da Even Way International, de Taiwan. Em termos de tendências, de uma forma geral, os compradores apreciaram os algodões com um brilho ligeiro, não demasiado brilhantes (com excepção para os mercados dos países do leste). Os tecidos com um toque de qualidade, suaves e compactos seduziram. Os tecidos finos e leves encantaram pela sua suavidade na pele e pelo seu aspecto quase etéreo, que se enquadra bem num estilo de pronto-a-vestir mais jovem. A viscose (nomeadamente o tencel) mostrou-se mais do que nunca como um tecido perfeitamente adaptado à procura do mercado: natural, fluido, suave. Do lado dos motivos, sobriedade “oblige”, a procura voltou-se para as riscas finas e pequenos motivos geométricos. Os têxteis bordados já não estão no topo das preferências. Para os estampados, a tendência é outra: os compradores querem divertimento, cor, até extravagância, com, por exemplo, estampados animais.