Presentes vão ficar mais baratos

Vestuário, artigos de desporto, brinquedos e tecnologia deverão continuar com elevada procura nesta época de Natal nos EUA, mas os preços parecem estar a baixar, em alguns casos pela primeira vez em vários anos.

[©Unsplash-Ashkan Forouzani]

Brinquedos, jogos e artigos para o lazer deverão ser mais baratos este ano pela primeira vez desde 2020, enquanto no caso dos equipamentos de desporto, esta deverá ser a primeira redução desde 2018, de acordo com os dados do gabinete de estatística do trabalho dos EUA, citados pela Reuters.

Apesar de, no geral, os preços estarem mais altos em 2023 – embora esteja a assistir-se a uma desaceleração, com os números de outubro a mostrarem um aumento de apenas 3,2% em termos anuais, o que representa uma estagnação na evolução mensal.

Nos artigos de desporto, os preços continuam bem acima dos níveis registados em 2019, o mesmo acontecendo com o vestuário de menina, que se mantém em valores superiores aos praticados no período pré-pandemia.

Outros preços estão em queda depois da pandemia ter afetado a cadeia de aprovisionamento e ter gerado uma grande mudança na procura para bens em vez de serviços, o que levou a uma inflação generalizada dos preços em praticamente todos os produtos de consumo, dos ovos às bonecas Barbie.

O Walmart indicou à Reuters que os preços dos produtos em geral – vestuário, eletrónica, mobiliário – baixou em percentagens de um dígito baixo em comparação com o ano passado, permitindo ao retalhista reduzir os preços nesta época de Natal.

Executivos da Target afirmaram ver uma maior moderação da inflação, mas que o ambiente é ainda muito «racional».

«Se há alguma coisa que temos visto é que, num ambiente em que as pessoas estão a fazer escolhas e podem ter algumas restrições com o seu orçamento, a motivação para comprar vai ser se isso vai acrescentar valor à sua vida», acredita Christina Hennington, diretora de crescimento da Target.

Os descontos na Black Friday variaram entre 30% a 50%, mas podem ser maiores mais para o fim desta época de Natal. Muitos consumidores podem esperar até ao fim de semana antes da segunda-feira de Natal para comprarem presentes. Os retalhistas podem aumentar em 10% os descontos, indica Jessica Ramirez, analista na Jane Hali & Associates.

«Estamos definitivamente a ver sinais de que os consumidores estão a começar a retrair-se e os negócios sabem isso», refere Jeffrey Roach, economista-chefe na LPL Financial. «Por isso estão a fazer as suas melhores apostas ao tentar apresentar descontos bastante agressivos», acrescenta.

Nas semanas até à Black Friday, retalhistas como a Macy’s, a Dick’s Sporting Goods e a Lowe’s, alargaram as promoções a uma gama maior de categorias do que no ano passado, de acordo com a Jane Hali & Associates.

A Macy’s publicitou descontos para metade do preço em casacos e até 50% em carteiras e calçado de homem.

Uma análise aos dados de inventário feita pela Reuters concluiu que a Macy’s e várias outras grandes cadeias de retalho estão a ter dificuldade com a saída mais lenta de stocks.

As grandes plataformas de comércio eletrónico como a Temu e a Shein também entraram na corrida dos grandes descontos, impulsionando uma “corrida para baixo” em termos de preços.

Kevin Simpson, diretor de investimento na Capital Wealth Planning, considera que o Walmart, a Target e a Home Depot estão a dar sinais de cautela no que diz respeito à confiança e saúde do consumo e podem ter margens mais baixas quando a época de Natal terminar.

Durante dois anos, os retalhistas têm estado num mundo de crescimento das vendas apesar do aumento dos preços, mas «isso só acontece durante algum tempo», aponta Kevin Simpson, que antecipa maiores descontos este ano. «Vamos assistir a uma compressão das margens e potencialmente vendas mais baixas», conclui.