Preço dos contentores pode voltar aos recordes da pandemia

A consultora Sea-Intelligence antecipa que os preços de alguns contentores em rotas comerciais entre a Ásia e a Europa possam chegar aos 20 mil dólares, níveis que foram atingidos durante o auge da pandemia de covid-19.

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Se a taxa paga por milha náutica alcançasse os níveis da pandemia, as tarifas para um contentor enviado de Xangai para Roterdão seriam de 18.900 dólares, podendo chegar aos 21.600 dólares por contentor de 40 pés (FEU) de Xangai para Génova, indica Alan Murphy, CEO da Sea-Intelligence, citado pelo Sourcing Journal.

Segundo o CEO, esta é «a resposta mais fácil para a pergunta de até onde podem chegar as taxas – apontar para o nível máximo observado durante a pandemia». Contudo, ressalva, «isto não tem em conta o aumento das distâncias de navegação em torno de África, que não estavam presentes durante a pandemia».

O World Container Index (WCI) da Drewry calculou que as tarifas atingiram um pico de 10.377 dólares por contentor de 40 pés em setembro de 2021, com a média de Xangai para Nova Iorque a alcançar 16.138 dólares. No mês seguinte, os preços de Xangai para Roterdão atingiram o seu máximo de 14.807 dólares por contentor, enquanto os FEUs na rota de Xangai para Génova atingiram uma média de 13.765 dólares. No entanto, o índice público ainda se baseia em médias fornecidas por expedidores e transitários, pelo que se presume que muitas das tarifas individuais para os envios de carga foram mais altas.

Alan Murphy calculou as maiores distâncias de navegação com base no número de cêntimos por FEU por milha náutica navegada durante a pandemia. Para a rota de Roterdão, este valor foi de 140 cêntimos de dólar/FEU/milha náutica, enquanto para a rota de Génova foi de 160 cêntimos de dólar/FEU/milha náutica.

«Se extrapolarmos os dados como uma indicação de quão alto o mercado pode realmente ir com base no aumento das taxas na pandemia, podemos agora aplicar as novas distâncias de navegação (mais longas) e calcular quão altas as taxas por [FEU] poderiam possivelmente ir, se a crise atual persistir», revela Alan Murphy.

Uma avaliação recente das diversões de navios no Mar Vermelho pela Agência de Inteligência de Defesa dos EUA indicou que as rotas alternativas de navegação em torno de África adicionam aproximadamente 11.000 milhas náuticas por viagem, bem como um milhão de dólares em custos de combustível.

O WCI, que mede as tarifas de frete marítimo em oito das principais rotas comerciais, tem estado a subir, tendo atingido 4.801 dólares por FEU na quinta-feira passada, 13 de junho. Desde 25 de abril, quando as tarifas médias eram de 2.706 dólares por contentor, os preços escalaram 77,4%.

Esses números são ainda mais elevados para contentores nas quatro rotas comerciais originárias de Xangai. Um contentor de Xangai para Nova Iorque custa em média 7.299 dólares, enquanto a viagem para Génova custa 6.862 dólares. Uma viagem de Xangai para Roterdão custa 6.177 dólares por contentor, enquanto o preço do frete para a rota trans-Pacífico até Los Angeles foi de 6.032 dólares, em média.

De forma similar, o Shanghai Containerized Freight Index aumentou 6,1% em termos semanais na sexta-feira passada, atingindo 3.379 pontos, o valor mais alto desde agosto de 2022. Este índice cobre 13 rotas comerciais a partir do porto de Xangai, que é o maior do mundo em termos de movimentação de unidades equivalentes a 20 pés (TEUs).

Numa publicação no blogue da empresa, a Xeneta anunciou um aumento das tarifas nas principais rotas a partir do Extremo Oriente desde 15 de junho, mas de forma menos dramática do que observado em maio e início de junho. Tal como o WCI, a Xeneta prevê que as tarifas médias do Extremo Oriente para a Costa Oeste dos EUA aumentem 4,8%, para 6.178 dólares por contentor de 40 pés.

«Qualquer sinal de desaceleração no crescimento das tarifas será bem-vindo pelos expedidores, mas esta é uma situação extremamente desafiante e é provável que continue assim», afirma Peter Sand, analista-chefe da Xeneta, na publicação. «O mercado ainda está a subir e alguns expedidores ainda enfrentam a perspetiva de não conseguirem enviar contentores nos contratos de longo prazo existentes e verem a sua carga adiada», refere.

Peter Sand observa que a pressão dentro do ecossistema de transporte de contentores «ainda está em níveis severos» devido à combinação de conflitos no Mar Vermelho, congestionamento nos portos do Mediterrâneo e da Ásia, bem como a escassez de equipamentos e os expedidores a anteciparem importações antes da época alta de envio de agosto a outubro. As atuais negociações nos portos da Costa Leste e da Costa do Golfo, que estão agora paradas, só irão aumentar a pressão, acrescenta.

A opinião de Peter Sand difere, contudo, ligeiramente da de Alan Murphy, considerando que é «improvável – mas não impossível – que as tarifas alcancem os níveis vistos durante a pandemia de Covid-19», sublinhando que os fatores atuais tornam difícil fazer previsões para o mercado com algum grau de certeza. «Por exemplo, qualquer potencial cessar-fogo entre Israel e o Hamas pode mudar completamente o cenário se ajudar a acabar com os ataques a navios de contentores pela milícia Houthi e ver um grande retorno de transportadoras à região do Mar Vermelho», exemplifica.