Preço ainda é determinante nas compras de artigos sustentáveis

Os consumidores mais novos estão atentos às matérias-primas e às condições sociais da produção de vestuário, estando mesmo dispostos a pagar mais por artigos sustentáveis, mas o preço tem ainda um grande peso nas decisões de compra.

Gildas Minvielle

Na apresentação realizada na Première Vision, Gildas Minvielle, diretor do Observatório Económico do IFM, explorou os resultados do estudo do IFM-Première Vision Chair.

Os dados mostram que a matéria-prima é o critério número um para definir um produto de moda sustentável, especialmente para os consumidores italianos, com 46,7% a indicarem este fator como o mais importante. No entanto, para a faixa etária dos 18 aos 24 anos, a proteção do ambiente é o critério principal, com 29,8%, seguida pelas condições sociais de produção.

Nos últimos 12 meses, quase metade da população francesa comprou um produto de moda ecologicamente responsável, um aumento em relação a 2023. «O interesse pela moda eco-responsável está a aumentar em intensidade», afirmou Gildas Minvielle.

A falta de informação foi um dos principais obstáculos apontados pelos consumidores que ainda não adotaram a moda sustentável, especialmente no Reino Unido e Estados Unidos. Em Itália, a falta de visibilidade dos produtos sustentáveis foi a principal barreira.

As compras de produtos em segunda-mão também estão a aumentar em todos os países estudados. Entre os jovens franceses entre os 18 e os 24 anos, 81,5% compraram um produto de moda em segunda-mão, principalmente devido ao preço.

«Fundamentalmente, o preço vem em primeiro lugar», sublinhou o diretor do Observatório Económico do IFM, sublinhando que este é um dos motores de compra que supera os critérios de eco-responsabilidade.

Já o efeito dos influenciadores sobre os consumidores varia entre os países. Enquanto em França 66,8% dos consumidores afirmam não serem persuadidos por influenciadores, nos EUA apenas 41,1% partilham desta opinião, com 20,2% a admitirem comprar produtos de moda com base nas recomendações de influenciadores.

Quando questionados sobre os valores que associam às marcas, os consumidores destacaram a acessibilidade dos preços e a qualidade/durabilidade dos produtos. Para os jovens de 18 a 24 anos, a inclusão é um valor significativo, com 52,4% a preferirem marcas que promovem este princípio.

Gildas Minvielle

«Os consumidores esperam comunicação honesta e transparente das marcas sobre os processos de produção, locais de fabrico e condições de trabalho», explicou Gildas Minvielle. «Querem produtos que durem mais e sejam de melhor qualidade, mas também acessíveis em termos de preço», acrescentou.

Os jovens estão dispostos a pagar mais por produtos de moda sustentáveis, com a faixa etária dos 18 aos 24 anos a dispor-se a gastar significativamente mais em t-shirts, jeans e sapatilhas ecológicas do que a média da população.

O estudo revela uma tendência clara: os jovens consumidores estão a liderar o caminho para uma moda mais sustentável e consciente. «Os que têm entre 18 e 24 anos distinguiram-se em todos os resultados deste trabalho», apontou o diretor do Observatório Económico do IFM. «Eles colocam a proteção ambiental como prioridade e estão mais dispostos a comprar moda sustentável e em segunda-mão, bem como a gastar mais em produtos sustentáveis», resumiu.

À medida que as expectativas dos consumidores evoluem, as marcas de moda enfrentam o desafio de se adaptarem a estas novas exigências, equilibrando a sustentabilidade com a acessibilidade e transparência. «Se queremos estar no jogo, temos efetivamente de responder a estas exigências», concluiu Gildas Minvielle.

Os dados do estudo, que abrangeu França, Itália, Alemanha, Reino Unido e EUA, foram recolhidos em maio de 2024. A pesquisa focou-se em várias áreas, desde a perceção dos consumidores até os motores do consumo e as expectativas em relação às marcas.