Pré-recessão assombra vestuário – Parte 2

Ainda antes da recessão internacional se instalar no sector do vestuário, já existiam diversos problemas que estavam a fomentar uma preocupação generalizada (ver Pré-recessão assombra vestuário – Parte 1). Agora que a recessão parece estar a acabar, questões de relevo como a queda dos preços, o aumento dos salários, o medo da acção proteccionista e até mesmo as condições laborais parecem regressar ao sector. Enfatizando as más notícias A China insiste em descrever as suas exportações de vestuário como tendo registado uma queda de 9,1% nos primeiros sete meses de 2009 (em dólares). Mas, na realidade, a China exportou pelo menos mais 5% de vestuário ao longo desse mesmo período. Os responsáveis chineses estão a acentuar a má notícia, porque a sua indústria de vestuário tem dois grandes problemas: (i) O conjunto da economia chinesa está a crescer, com a produção muito mais rapidamente do que as exportações de vestuário: a produção aumentou 12,3% em Agosto em relação a igual período de 2008. Ao longo do ano passado, os trabalhadores perceberam que os empregos na indústria chinesa de vestuário – orientada para a exportação e concentrada nas regiões da costa Leste – podem desaparecer e muitos deles encontraram empregos mais próximos das suas aldeias ou noutro sector industrial. Existem cada vez mais relatos, ao longo de toda a região costeira, de confecções de vestuário que têm de oferecer melhores salários, maiores benefícios e todas as outras origens de inflação a que assistimos no final de 2007, antes da recessão atacar. (ii) Enquanto isso, o espectro de acções proteccionistas por parte da UE ou dos EUA ainda preocupa a China, especialmente desde que os EUA instituíram taxas anti-dumping sobre os pneus chineses. A própria UE já iniciou uma investigação para a imposição de taxas anti-dumping sobre alguns fios de poliéster da China. Para os chineses, não importa que esta investigação demore 15 meses. Eles não querem taxas mais elevados dentro de dois anos, de um século,ou em qualquer outro momento. Portanto, é do seu interesse alienar a opinião europeia e norte-americana sobre o actual bom desempenho da China. Bangladesh em crescimento O Bangladesh tem um problema completamente diferente. As suas fábricas, face à actual situação, tiveram desempenhos extraordinariamente positivos desde o início da recessão. Mas, não são apenas os seus trabalhadores mal pagos que vivem com o “cinto apertado”, pois muitos dos seus produtores de vestuário também vivem momentos difíceis resultantes da prática de preços baixos. Se um cliente ocidental falir, pagar atrasado ou retirar parte do pagamento devido a problemas de qualidade, muitas fábricas simplesmente não têm o dinheiro necessário para aguentarem a tormenta. Deste modo, ao longo de Agosto e Setembro, vimos os representantes comerciais do Bangladesh a tentar obter fundos do governo para o sector de vestuário para que as fábricas com dificuldades pudessem pagar a tempo os salários em atraso para as celebrações do Eid ul-Fitr, que marcam o fim do jejum no Ramadão. Estranhamente, o crescimento do Bangladesh nas vendas de vestuário está a expor as fragilidades da falta de capital e gestão das sua unidades fabris, de forma muito mais cruel do que a recessão internacional. E, na medida em que a sua associação profissional não quer admitir que o problema é fábricas mal geridas, o Bangladesh tem de fingir que o problema está no difícil mercado mundial. Na terceira parte deste artigo, o director-executivo da Clothesource Sourcing Intelligence analisa as reacções por parte dos países exportadores, bem como as questões relacionadas com as condições laborais.