Positive Materials desbrava horizontes

A empresa, que integra o grupo internacional PDS, está focada na testagem e desenvolvimento de novos materiais e processos, numa perspetiva de sustentabilidade. A coleção Everloop resulta de algumas dessas inovações.

Dolores Gouveia e Jorge Ribeiro

Fundada há dois anos, a Positive Materials assume como missão o desenvolvimento de novos materiais tendo como motor a regeneração da biodiversidade, usando fibras de agricultura regenerativa, bioengenharia, química verde e resíduos e processos circulares.

«Fazemos parte de um grupo chamado PDS, que tem uma empresa de capital de risco que é das maiores investidoras europeias em start-ups de ciência dos materiais», explica, ao Portugal Têxtil, Jorge Ribeiro, co-CEO da empresa. «Muitos dos produtos que desenvolvemos é com base nos investimentos do grupo – nós próprios contribuímos para identificar esses investimentos, fazemo-lo em conjunto, e depois, com o que identificamos como viável, fazemos o desenvolvimento de produto e, posteriormente as vendas», acrescenta.

Os desenvolvimentos são concretizados com o apoio de parceiros. «A nossa parte industrial é a partir de parcerias estratégicas que temos», refere Jorge Ribeiro. «Temos também parte industrial na Ásia», indica.

Na mais recente edição da Première Vision, a Positive Materials apresentou alguns destes desenvolvimentos numa coleção batizada Everloop. «No fundo, é uma coleção que usa materiais que ainda estão na fase de scale-up pela primeira vez, ou seja, muitos deles estão ainda numa fase muito inicial de desenvolvimento. Nós testamos esses materiais em diferentes aplicações, diferentes fibras, diferentes acabamentos, em peças finais», revela o co-CEO.

A Everloop inclui os desenvolvimentos de seis start-ups. Um casaco de estilo bomber feito com a pele sintética Oval, da Pact, e enchimento BioPuff da Ponda, uma t-shirt com malha da própria Positive Materials, produzida com lã merino de agricultura regenerativa e rastreável, e tingida com o pigmento BioBlack TX da Nature Coatings e uma camisola com algodão Materra e tingido com o mesmo pigmento da Nature Coating fazem parte das propostas desta coleção.

Da oferta da Positive Materials constam ainda propostas com fibras de banana, de algodão regenerativo e de desperdício de cânhamo.

Atualmente, a Positive Materials tem como alvo «clientes sobretudo no segmento de luxo com quem trabalhamos e que, no fundo, estão abertos a testar estas novas tecnologias e introduzi-las nas suas coleções», adianta Jorge Ribeiro.

Os clientes, de resto, têm procurado a empresa. «Tem sido superpositivo», reconhece o co-CEO da empresa, que partilha a liderança da Positive Materials com Elsa Parente (que é também diretora de tecnologia) e conta com Dolores Gouveia como diretora criativa. «Já tínhamos relações com muitos dos parceiros das nossas experiências anteriores e agora é, no fundo, continuar e potenciar essa relação de confiança para este novo negócio», sublinha.

O desafio para o futuro, não só para a Positive Materials mas para a indústria têxtil e vestuário no geral, é, acredita Jorge Ribeiro, «integrar muitos destes desenvolvimentos nas coleções das marcas, que elas percebam que muitos deles estão já testados e prontos a escalar e têm preços competitivos. Ou seja, há um trabalho na cadeia de abastecimento de forma a trabalhar o preço para que seja competitivo à escalabilidade do próprio produto». Além disso, «as marcas investem cada vez mais em departamentos de sustentabilidade e inovação que vêm alavancar também a introdução e o reforço destes produtos», acrescenta. «Estamos a ver uma boa evolução, estamos no bom caminho», conclui Jorge Ribeiro.