Portugueses quadruplicam presença na ISPO Munich

De quatro para 43 expositores, de uma pequena ilha para ocupar mais de 900 metros quadrados de exposição, os 15 anos de participação portuguesa na ISPO Munich revelam um forte crescimento, que foi motivo para festejar na mais recente edição do Modtissimo.

Tania Mutert de Barros

A celebração, organizada por Tania Mutert de Barros, representante da ISPO em Portugal, contou com muitas das empresas que nos últimos 15 anos estiveram presentes na ISPO Munich, um número que, exceção feita a 2020, tem vindo a subir consistentemente. «Festejámos 15 anos de muito boa participação portuguesa na ISPO Munich e mostrámos alguns números que, de facto, comprovam que a participação portuguesa, de 2008 para 2022, quadruplicou. Começámos mais ou menos com meia dúzia de expositores naquela altura e, na última edição, em novembro de 2022, contámos com o número recorde de 43 expositores portugueses», explica Tania Mutert de Barros.

Esta mais recente edição da feira, que mudou de datas e teve, pela primeira vez, lugar em novembro, acabou por ter uma boa recetividade em Portugal. «Muita gente até comenta que janeiro e fevereiro são datas onde há feiras têxteis, ao contrário da ISPO, que muita gente pensa que é uma feira têxtil, mas não é. É a feira líder do desporto, tem artigos de desporto e uma parte têxtil, que é a da moda desportiva e dos têxteis para o desporto. E, como em janeiro e fevereiro há muitas feiras têxteis onde este sector já participa, a mudança para novembro foi até muito bem aceite pelos habituais expositores nacionais», afirma Tania Mutert de Barros.

A evolução da participação portuguesa na feira deveu-se também, aponta a representante em Portugal da feira, a «dois momentos-chave. O primeiro foi quando o CITEVE, em 2008, resolveu organizar uma visita à ISPO com um conjunto de empresários. Dessa visita nasceu a primeira participação em stand coletivo, organizada pela Associação Selectiva Moda com o CITEVE, em 2009, com quatro empresas, uma primeira ilha From Portugal. Naquela altura, o CITEVE estava a apostar nos têxteis técnicos e, de facto, acho que essa aposta nos têxteis técnicos e, muito especificamente, depois, no sector do desporto, ajudou muito no desenvolvimento da participação portuguesa», conta ao Portugal Têxtil. «Depois, houve outro momento-chave, em 2012 ou 2013, quando a própria organização resolveu abrir um segmento novo com um pavilhão específico, que se chama ISPO Textrends. E, de facto, com a abertura deste pavilhão, que tem no centro do pavilhão, ainda hoje em dia, um fórum de tecidos, todo o sector de produtos têxteis para o desporto encontrou a sua casa», acrescenta.

[©Mundifeiras]
Tendências e inovação favorecem made in Portugal

Apesar de, por parte das marcas, ter havido uma certa retração na presença em feiras profissionais, incluindo na ISPO Munich, do lado dos expositores portugueses as perspetivas são positivas. «As marcas, durante o covid, estabeleceram contacto com o consumidor final através de vendas online e, agora, estão um bocadinho com o pé atrás para voltar às feiras profissionais. Portanto, como algumas marcas ou apareceram com stands menores ou até não estiveram presentes, quem esteve muito em destaque foram os fabricantes, nomeadamente Portugal. Acho que os fabricantes portugueses têm aqui um momento muito bom em que as marcas de moda desportiva procuram novos fornecedores, estão a sair da Ásia, procuram nearshore sourcing e encontram, em Portugal, boas soluções», justifica Tania Mutert de Barros. «Tanto para confecionadores, como para fabricantes de malhas e acessórios têxteis, em termos de negócio, a ISPO em novembro de 2022 correu, de facto, bem», sublinha.

Aliás, destaca a representante da feira em Portugal, «a mim, parece-me que a indústria têxtil portuguesa sai reforçada desta pandemia, porque noto que muitas marcas da Alemanha, da Áustria, da Escandinávia procuram agora fornecedores em Portugal. E o que os empresários me comentam do tipo de negócios que fazem na ISPO, e comentam muito isso, é que agora ganham novos contactos, novos negócios que antigamente iam provavelmente para outros países. A sustentabilidade e o near sourcing são dois assuntos que vieram para ficar e, agora mais do que nunca, são temas do dia na indústria do desporto».

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A inovação nacional tem também dado força a este crescimento. «Houve um número recorde de prémios do ISPO Textrends Awards por parte de empresas portuguesas: 41 prémios. É um número recorde, tanto na parte de tecidos, acessórios têxteis, materiais, como também um novo prémio que introduzimos para confecionadores – este ainda foi um concurso pequenino, mas Portugal ocupou o primeiro lugar. Estas coisas não são por acaso. É um júri que faz a análise anónima das amostras, não sabem de onde é o quê e quando sai Portugal como o grande vencedor, acho que também é um sinal de que as marcas procuram este tipo de produto e que tem um renome muito bom. O made in Portugal, de facto, hoje em dia, é muito procurado e associado a uma elevada qualidade», resume a representante da feira em Portugal.

Um novo concurso para os ISPO Textrends Awards está, de resto, em curso, com as candidaturas a deverem ser submetidas até 31 de março. Os produtos selecionados estarão expostos na OutDoor by ISPO, mais dedicada aos desportos ao ar livre e agendada para 4 a 6 de junho. Já a ISPO Munich regressará de 28 a 30 de novembro, mantendo assim a nova data.