Portugueses compram pelo lado lúdico

Segundo um estudo levado a cabo pela imobiliária Cushman & Wakefield Healey & Baker, um terço dos europeus compra pelo aspecto lúdico, mas há quem compre por necessidade e por gostar de comprar tudo, incluindo os alimentos, como é o caso dos portugueses, noticia o Diário de Notícias. Para a concretização deste estudo, foram realizadas sete mil entrevistas em 12 países europeus (Portugal, Grã-Bretanha, Itália; Espanha, Polónia, Alemanha, Bélgica, República Checa, Suécia, Hungria, França e Holanda). O estudo “Where People Shop 2002”, procura identificar os hábitos e motivações dos europeus em relação às compras, qualificando os consumidores de acordo com as suas características demográficas e de comportamento. Quem encontra mais prazer nas compras são os italianos, seguidos dos britânicos e polacos. Por sua vez, os portugueses surgem em quarto lugar, mas o principal motivo que os leva a gastar dinheiro é a satisfação das necessidades alimentares. Em média, os portugueses são os que compram menos roupa. Os seus parceiros europeus adquirem vestuário nove vezes por ano, ou seja, cada 5 ou 6 semanas, enquanto que os portugueses compram apenas sete. Quanto às roupas de marca, os portugueses interessam-se pouco pelas “etiquetas”, sendo que 37% preferem frequentar os mercados e feiras. Através dos resultados deste estudo, sabe-se que os portugueses são os mais entusiastas em relação às compras, independentemente de o fazerem por prazer ou não. As mulheres portuguesas são também as principais clientes mas numa percentagem inferior à média europeia (75%), ao contrário dos vizinhos Espanha e Itália, onde elas são a esmagadora maioria da clientela (9 em 10). Portugal é, no entanto, o segundo país onde os homens fazem mais compras domésticas (32%), logo a seguir aos suecos. No que diz respeito às lojas no centro das cidades, estas têm grande importância para a maioria dos europeus (51%), enquanto que em Portugal a percentagem desce para 44%, devido à grande procura de mercados e feiras. Quanto às visitas aos centros comerciais, os suecos são os que mais gostam destes espaços. Vão lá 27 vezes por ano, seguindo-se os britânicos, franceses e italianos (22 vezes). Os portugueses vão a um centro comercial 16 vezes por ano, um valor próximo dos alemães e espanhóis. No entanto, em Portugal há diferenças a nível geográfico e etário que se devem ter em conta. Os residentes no Grande Porto, por exemplo, frequentam muito mais os centros comerciais (24 visitas por ano), o que, segundo os responsáveis pelo estudo, se deve à «grande concentração da moderna distribuição em detrimento de um comércio de rua relativamente antiquado e sujeito às obras de requalificação da Baixa portuense». Segundo o Diário de Notícias, outro dado a referir é o motivo que leva as pessoas aos centros comerciais e o tempo que ali permanecem. Os portugueses gastam cerca de uma hora e meia nestes espaços, um valor igual à média europeia. Os belgas e holandeses são os que permanecem mais tempo, ou seja duas horas. A diferença está nos motivos da visita, já que para 25% dos europeus o objectivo principal é comprar algo específico, logo seguido da compra de bens alimentares (15%). Para os portugueses a intenção é «passar o dia fora» (21%) ou então «ver as montra» (20%). Relativamente à abertura dos hipermercados ao domingo, um em cada quatro portugueses são a favor desta situação. Outra conclusão do estudo sobre os hábitos dos consumidores europeus é que os portugueses são os que mais compram roupa acompanhados dos cônjuges e dos filhos (41%), sobretudo os homens (53% contra 36% das mulheres).