Portugal tem de ter projecto de marca «país»

Em declarações à agência Lusa, o presidente do ICEP, João Marques da Cruz, sustentou que Portugal «tem uma imagem de hospitalidade e simpatia mas não de eficiência e de vitória», pelo que aumentar as exportações «é vital» para melhorar a marca «país». O «objectivo nacional» de melhorar a imagem da produção portuguesa deve ser «assumido por todos, incluindo os líderes de opinião», defendeu João Marques da Cruz ao sublinhar, contudo, que neste desígnio o Estado tem sempre um papel importante. O responsável do ICEP referiu que melhorar a imagem portuguesa vai demorar uma geração mas é um trabalho que «tem de ser feito e assumido de forma clara». Interrogado sobre o caminho a seguir para que Portugal possa exportar mais para Macau (nos primeiros 11 meses de 2005, as exportações portuguesas representavam apenas 0,33 por cento das compras de Macau) o presidente do ICEP disse que os empresários portugueses terão de assumir uma estratégia regional. «Se olharmos para Macau apenas como Macau no seu contexto geográfico, então os crescimentos das exportações portuguesas serão sempre marginais mas se olharmos como centro vibrante e distribuidor regional, então Portugal e as empresas portuguesas terão oportunidade de expandir de forma muito significativa as suas vendas em Macau», afirmou. João Marques da Cruz identifica também como entrave às exportações portuguesas para todo o mundo as questões relativas à marca e à distribuição, definindo como necessário o investimento na distribuição, nomeadamente com parceiros locais, uma estratégia que levou o ICEP a assumir a responsabilidade de criar um centro de distribuição de produtos portugueses na China (ver notícia no Portugal Têxtil), para o qual procura agora parceiros. «O problema não é o produto mas a marca e a distribuição», afirmou. No que se refere à gestão por empresas do centro de distribuição de produtos portugueses a ser criado na China, Marques da Cruz refugia-se nas «más experiências» do Estado português na gestão deste tipo de infra-estruturas que no passado se transformaram em «autênticos sorvedouros de dinheiros públicos» sem resultados práticos. Por isso, e além do centro de distribuição, João Marques da Cruz defende a política de olhar a China como um todo, embora com três frentes de trabalho: Macau, Xangai e Pequim. «Macau é importante nesta região do Grande Delta do Rio Pérola, mas sempre integrado numa estratégia global para o país e o centro de distribuição – cuja localização nem os parceiros está definida – são uma ajuda numa óptica empresarial», concluiu. Durante o segundo e último dia da visita a Macau, João Marques da Cruz esteve reunido com o Secretário para a Economia e Finanças do Governo de Macau, Francis Tam, com o secretário-geral adjunto do Fórum para a Cooperação Económica entre a China e os Países de Língua Portuguesa, e a chefe do gabinete de apoio ao Fórum, respectivamente Wang Cheng An e Rita Santos, e com o presidente do Instituto para a Promoção do Comércio e do Investimento, Lee Peng On.