Portugal sub-aproveita a formação profissional

Portugal é o país da União Europeia com a segunda taxa mais baixa de frequência de trabalhadores em formação profissional paga pelo empregador e só um terço das empresas nacionais considera indispensável a necessidade de formação dentro das empresas, isto no período que se situa entre 1996 e 1999. Nem mesmo os cinco mil milhões de euros gastos em acções de formação profissional, no âmbito do Fundo Social Europeu (FSE) nos últimos dois anos, alteraram esta mentalidade. O estudo encomendado pelo Observatório do Emprego e Formação profissional, sobre a «Evolução das Políticas de Formação nas empresas», concluiu que esta situação não se irá alterar num futuro próximo. Neste estudo, realizado em 1999 e editado no final do ano passado, conclui que «sobretudo as empresas portuguesas mais pequenas, face aos processos de mudança necessária nas suas actividades e às oscilações dos ciclos produtivos, estão pouco disponíveis, apesar de reconhecerem a sua importância em muitos casos, em disponibilizar trabalhadores para acções de formação». Neste estudo defende-se a importância de aumentar e desenvolver práticas de formação para aumentar também os níveis de produtividade. No entanto, o estudo conclui também que «há uma clara tendência de instalação de uma cultura de passagem com mão-de-obra volátil, ligada a formas mais fluídas de vínculos contratuais que não facilitam o “projecto de empresa” e para as quais as empresas necessitam de compensar as pessoas com ambientes sócio-culturais agradáveis e possibilidades de aprendizagem permanente, além do reconhecimento profissional expresso materialmente». Segundo adianta o Diário Económico, os autores do documento salientam ainda a necessidade «de se caminhar para formas de organização mais simples», apesar de «em muitos casos» os empresários mostrarem «uma grande incapacidade de identificarem o que pretendem», possuírem «pouca sensibilidade para trabalhar bem os ajustamentos necessários» e não serem «abertos à mudança, o que provoca perdas de produtividade assinaláveis». No que respeita ao financiamento das acções de formação, o estudo revela que é consensual que, «enquanto houver financiamento público abundante, as empresas recorrerão pouco a financiamento próprio».