Portugal ganha “bota” de ouro

O certame italiano já é incontornável para os tecidos “made in Portugal”, dos lanifícios do Grupo Paulo de Oliveira (Paulo Oliveira, Penteadora e Tessimax) às malhas da Tintex, passando pelos veludos da Gierlings Velpor. «A Milano Unica permite consolidar a posição da Penteadora no mercado europeu», afirma Paolo Zantonelli, diretor comercial da Penteadora. «No geral, 2012 tem sido difícil até agora, mas conseguimos manter os volumes e a quota de mercado de 2011 – o que é, para nós, um resultado muito positivo. Por isso, gostaríamos de manter esta condição também no futuro, tentando aumentar, em particular, os esforços no negócio corporativo para compensar a instabilidade da área de moda», explica. As exportações da Indústria Têxtil e de Vestuário portuguesa para Itália aumentaram 97,5% nos primeiros seis meses de 2012, superando os 587 milhões de euros (dados ATP). Embora Portugal forneça a Itália sobretudo vestuário em malha e tecido (que, em conjunto, representam quase 65% das exportações), os produtores portugueses de tecidos e malhas têm uma forte reputação junto das grandes marcas italianas. Prova disso é o aumento de 112,2% nas exportações de tecidos especiais registado no período de janeiro a julho deste ano, assim como as exportações de tecidos de algodão, que superaram os 5,6 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano. As malhas portuguesas também brilham no mercado transalpino, pois representaram neste período 17,46% do total das exportações de tecidos, com envios superiores a 3,2 milhões de euros. Para que os próximos meses tragam resultados igualmente positivos, as empresas de tecidos nacionais cruzaram as teias e as tramas da inovação nas coleções para o outono/inverno 2013-2014, que anuncia uma moda mais casual mas nem por isso menos tecnologicamente revolucionária. A Arco Têxteis, por exemplo, trabalhou materiais macios e quentes para os seus novos tecidos camiseiros, pautados ainda por acabamentos e padrões inovadores. Os acabamentos especiais são, de resto, uma aposta forte das empresas portuguesas presentes nesta edição da Milano Unica: a Paulo de Oliveira desenvolveu novos acabamentos para os seus tecidos de lã e misturas enquanto a Lemar privilegiou a funcionalidade dos acabamentos, sem descuidar a vertente moda. «Desenvolvemos um conceito multifunção, com produtos fáceis de usar e de tratar», revela Manuela Araújo, CEO da Lemar, que também apresenta «uma pré coleção de banho para o verão 2014» no salão de tecidos italiano. Já a Penteadora propõe uma grande variedade em termos tecidos para casacos e calças, uma vez que o mercado está a pedir «formas de vestir menos formais», indica Paolo Zantonelli. Na oferta da especialista em lanifícios destacam ainda novas flanelas em lã e tecidos cardados em diferentes misturas de lã, que podem ser transformados em casacos e sobretudos sem forro. A XV edição da Milano Unica tem lugar já a partir de amanhã, terça-feira, e até sexta. A Fieramilanocity vai colher durante estes três dias 450 expositores, um número superior à passada edição de fevereiro, que registou a participação de 440 empresas e recebeu 18 mil visitantes profissionais. «Regressámos à feira na edição passada e os bons resultados obtidos deixam-nos antever boas perspetivas para esta edição», conclui Rita Fortes, gestora de mercado da Riopele, outra das empresas nacionais que marca presença no certame transalpino, a par da Somelos Tecidos e da Albano Morgado.