Portugal de Honra na Tunísia – Parte I

Aprofundar Parcerias Portugal vai ser o País de Honra na próxima edição da Texmed, a decorrer de 14 a 16 de Junho em Tunes, capital da Tunísia. Isto porque este país eminentemente produtor e exportador têxtil acredita que pode «dar um significativo contributo para a competitividade deste sector em Portugal», salienta Riadh Attia, director do CEPEX- Centro de Promoção das Exportações, e Comissário da Texmed, ao JT. «A Tunísia pode ser um bom local para cooperar, sub-contratar ou co-contratar e deslocalizar possibilitando inúmeras parcerias interessantes», complementa o director. «Há já um fluxo económico entre a Tunísia e Portugal que cremos que seria proveitoso para ambos os países explorar e aprofundar», frisa. Neste contexto, o CEPEX e a Embaixada da Tunísia têm realizado algumas missões empresariais no nosso país e estão a preparar com o Citeve uma presença de empresas da ITV portuguesa (já há confirmações), esperando que os potenciais empresários visitantes lusos se apercebam entretanto das vantagens de eventuais parcerias comerciais e industriais a concretizar já a partir de Junho. Entre alguns eventos especialmente agendados para esta edição sob o lema de «Juntar esforços para objectivos comuns», num relembrar de possíveis afinidades económicas Euromediterrânicas, destacam-se os três workshops preparados pelo Centro Tecnológico português especialmente para o evento, com os temas: desenvolvimento de colecções e interpretação de tendências, acabamentos funcionais e tecno moda, e possibilidades de cooperação entre Portugal e Tunísia. «Temos mais de 400 marcas internacionais a operar no nosso país às quais, para além de oferecermos boas condições produtivas com uma extensa plataforma de soluções de produtos intermédios e finais, se acrescentam agora investimento no ambiente de trabalho e preocupações sociais», que para o que o director «podem originar parcerias inteligentes numa relação vencedor/vencedor, que pode ajudar também o vosso sector». Éum desafio para os dois países que embora não tenham tradição na cooperação, têm já registado algumas vantagens nesta solução. Mais perto do Mediterrâneo «Com mais de dois milhões de pessoas neste sector, a consciencialização de uma solidariedade e afinidade mediterrânicas iria ajudar todos os países do Euromed a viabilizar as suas ITV e economias e diminuir o impacto negativo da liberalização e da concorrências dos países asiáticos», refere Feri Tounsi, presidente do Cepex, ao JT. «E a Tunísia quer ter um papel neste processo, que se quer dinâmico, mas que não tem visto quase nenhuma acção em concreto. Faltam iniciativas no terreno», acrescenta. Assim, a nova edição da feira tem assumidas duas missões, e «é nesta lógica que estamos a promover a Texmed, para que constitua não só um espaço de apresentação de oferta de sourcing, mas também um espaço de promoção e concretização de alianças intrenacionais. Para além de vermos a Europa como parceiro privilegiado- e contamos com Portugal que entrou para a UE com sucesso, como fonte de futuras parcerias -, vamos também promover neste edição o comércio com os nosso vizinhos árabes, com uma agenda de reuniões a dinamizar, e na qual Portugal pode participar na qualidade de convidado de honra». Neste contexto, a Tunísia recebe também a feira internacional de serviços de 8 a 9 de Junho, mais vocacionada para os países árabes e africanos, antecedendo a Texmed. Para viabilizar e dinamizar esta proposta mediterrânica, o Cepex está em consonância com o Governo, e anunciou ao JT um programa de incentivos à ITV, que abrange a área da produção- com promoção da passagem da sub-contratação à co-contratação e oferta de produto final -, a área de Marketing internacional- envolvendo sensibilização à internacionalização, cooperação e presença e preparação para as grandes feiras e plataformas de ordens internacionais, assim como os contactos profissionais directos. «Não somos competitivos pelo preço, e não podemos ter uma política de esmagamento de salários, e assim vamos apostar nas pequenas séries e na resposta rápida, investindo igualmente no nicho da criação e do design- estamos a estudar a formação de um Instituto de Design da Tunísia – como elemento diferenciador dos nossos serviços». «Estando consciente dos desafios actuais e da concorrência internacional, e acreditamos na nossa força de trabalho e nas afinidades mediterrânicas, pela cultura e não pelo proteccionismo que isso envolva, e decidimos entrar em acção neste edição», conclui o presidente. Economia A Tunísia é o primeiro exportador africano de produtos manufacturados, o primeiro fornecedor de calças da UE e o quinto maior fornecedor de vestuário – só a França, Itália e a Alemanha representam 75% das exportações da ITV. O sector envolve 2.200 empresas, 1.670 das quais totalmente exportadoras (74% de confecção), envolvendo 204 mil trabalhadores. As exportações em 2004 ascenderam a 2,8 mil milhões de euros, cerca de 37% das exportações totais do país, e tiveram um decréscimo de 1,4% em 2005, devidos aos efeitos da liberalização. Há 22 empresas portuguesas da ITV a operar na Tunísia, segundo o portal governamental «www.Tunísianindustry.nat.tn». As oportunidades de parcerias e de investimento identificadas pelo Cepex são a montante da confecção- na fiação e tecelagem -, na confecção de alta gama e na venda e distribuição de tecidos. A Tunísia é membro da OMC, tem um acordo com a UE, é membro da Grande Área de Comércio Livre Árabe, tem acordos bilaterais com o Egipto, a Jordânia, a Síria, Marrocos, Líbia e Argélia, e tem um SGP com os Estados Unidos, o Canadá, a Suiça e a Austrália.