Porter apoia investimento estrangeiro

A falta de competitividade deixa Portugal na cauda da Europa. Segundo Michael Porter, este é o principal problema de Portugal que pode ser melhorado através de um melhoramento nos clusters do calçado, automóvel e turismo. Mas Porter refere um ponto positivo nos últimos anos de governação: a internacionalização. Nas palavras de Michael Porter, a uma entrevista ao Diário de Notícias, oito anos após o seu estudo «Construir as vantagens competitivas para Portugal», a principal razão que levou Portugal a perder competitividade foi o facto do «Governo socialista, talvez não muito próximo das empresas e do sector privado, não ter apetência para os aspectos micro-económicos relacionados com a competitividade». Segundo Porter, Portugal tem um problema de produtividade, que está abaixo da Grécia «o ranking da produtividade portuguesa é muito baixo, provavelmente o último da União Europeia. Há uma relação entre produtividade e salários. Quando é alta, os salários sobem. Portugal já nem pode usar a desvalorização, que é uma forma de os países não competitivos se manterem em jogo nas exportações. Agora, a única via de apoiar o crescimento das exportações e dos salários é aumentar a produtividade». Confrontado com a o facto de Portugal ter investido muito no Brasil e na Espanha nos últimos anos, Porter responde que «continuaria a encorajar o investimento no estrangeiro», fazendo notar que a «prioridade, porém, é a competitividade interna». Mas, visto que o investimento estrangeiro tem apresentado baixos níveis, pode correr-se o risco de perder face aos países de Leste, o que nas palavras de Porter «dependerá do aumento da produtividade. Se for com base nos custos de produção baixos, Portugal não conseguirá atrair investimento». Para além disso, o economista americano adianta que Portugal «devia competir ao nível de topo», mas o facto de não ter evoluído tecnologicamente, não permite que faça concorrência aos países mais sofisticados como os do norte da Europa. No que se refere aos cluster do calçado português, quando comparado com o cluster do calçado italiano profundamente estudado por Porter, este adianta que ainda «há espaço para um cluster do calçado português. Mas isso requer uma grande mudança, maior agressividade e vigor, que não se vêem». Sobre a sua participação num plano para a competitividade no País Basco – um país que centrava a sua economia na indústria do aço e que tinha empresas e metalúrgias não competitivas em decadência – Porter explica que a crise era eminente, assim «executou-se um programa de competitividade de longo prazo que actuou nas infra-estruturas, educação, universidades. Colocaram-se enormes recursos na área da ciência e tecnologia, criaram-se centros de investigação, parques de ciência, campanhas de qualidade». E os resultados não podiam ter sido melhores, «a região basca tem sido, nos últimos anos, uma das mais prósperas da Europa em termos de desenvolvimento. Actualmente o nível de rendimento no País Basco é muito superior à média em Espanha. É curioso ver como o País Basco conseguiu vencer e Portugal não». Quanto ao modelo da integração europeia, Porter afirma acreditar «no modelo da União Económica e Monetária (UEM), porque dá o enfoque à economia real. Ao retirar-se a possibilidade de desvalorização da moeda, como temos nos EUA e agora na Europa, a pressão passou para a necessidade de aumentar a competitividade». Ainda no que respeita à competitividade, questionado sobre se os empresários contribuíam para o desenvolvimento económico, nomeadamente para o aumento do índice de produtividade, o economista afirmou que «em economias avançadas, as universidades são fundamentais ao desenvolvimento económico. No nosso estudo sobre as regiões nos EUA, vê-se o extraordinário impacto das universidades, não apenas como centros de investigação mas como berços de formação de engenheiros e outros diplomados».