Ponto a Ponto se conquista o mercado

Conversar com uma empresa portuguesa e perguntar-lhe se sente a concorrência do Oriente, é recorrente. Assim como questioná-la como foi o ano de 2005, e se sentiu os efeitos da liberalização. Mas os segmentos mais específicos da ITV são a excepção. E esta excepção é regra na Ponto por Ponto, pois, enquanto «os orientais não produzirem roupa de cerimónia, não precisamos de nos preocupar com esses mercados», avança Sara Marques, sócia-gerente da empresa, ao Portugal Têxtil (PT). E o volume de negócios desta empresa do Porto, que conta com três dezenas de elementos, aumentou de 90 mil euros em 2004 para 110 mil euros em 2005, não sentindo muito os tais efeitos da liberalização, mas ainda repara que «os poucos que notámos que foram tentar procurar fornecedores ao Oriente, estão agora a voltar para o nosso país, mas mais exigentes». A Ponto por Ponto tem sete anos, só trabalha para a sua marca própria (com o mesmo nome), assim como própria é a confecção que assegura a sua colecção, subcontratando os serviços de estampados, bordados, e acessórios necessários para a linha de cerimónias para bebé e criança em que se especializou. Os tecidos utilizados são comprados em Portugal, Itália e Espanha, e este último mercado tem-se destacado pela «qualidade e competitividade», já para não falar do facto dos espanhóis fazerem «festas de comunhão muito elaboradas e dispendiosas», o que os torna um mercado apetecível para empresas deste nicho. A internacionalização completa-se com a Itália, França e Luxemburgo e estão a observar com atenção as aproximações ao mercado russo, promovidas pela Anivec/Apiv -, embora ainda com uma tímida expressão, quando comparado com o volume de produção destinado ao mercado português – onde se apresenta em 250 pontos de venda. Aqui é possível concluir-se que, se festas de baptizados são uma prática corrente de Norte a Sul, já as festas de comunhões são mais frequentes no Norte, sendo os artigos escolhidos aqui «de um modo geral, mais simples, e em Lisboa um pouco mais elaborados», elucida a gerente. Sara Marques ainda comentou ao PT que «não se justifica o complexo de inferioridade que parece que por vezes temos, pois somos tão ou mais capazes que os outros países para fazer bem. Só nos tem faltado é capacidade para nos unirmos mais vezes, lacuna essa que agora está a ser suprida em parte por estas iniciativas de internacionalização das marcas portuguesas da Anivec/Apiv». «Se aguentamos algumas adversidades até agora é porque somos bons empresários, e se os indicadores económicos ainda não são muito auspiciosos, obriga-nos a ser mais imaginativos, mais poupados e organizados. E agora é só esperar que os consumidores voltem a ter um pouco mais de poder de compra e confiança, e possam voltar a basear as suas compras mais na qualidade, e menos no preço», complementa.