Pobres ficam cada vez mais pobres com tarifas americanas

Ao impor taxas elevadas às importações de vestuário, a política de tarifas americana prejudica os países mais pobres e em vias de desenvolvimento, mas também a si própria. «O sistema americano de tarifas tornou-se num sistema contra os pobres», de acordo com um relatório do Progressive Policy Institute (PPI), uma organização não lucrativa para o desenvolvimento das políticas dos países de terceiro mundo. Apesar de constituírem apenas 6,5% do total das importações dos Estados Unidos, as importações de vestuário e calçado produziram 46% do total de rendimentos em 2001, explica Gresser, o responsável pelo relatório. Tarifas mais altas são actualmente impostas ao calçado e vestuário, em comparação com a totalidade de importações dos Estados Unidos, acrescentou ele. O nível efectivo das tarifas é de 11,4% para as duas categorias de produtos, em comparação com taxas na média dos 0,9% para todas as outras importações. Além disso, entre as importações de vestuário e calçado, as tarifas dos Estados Unidos são mais altas para os produtos mais baratos do que para os produtos de luxo, afirma Edward Gresser. Por exemplo, os níveis das tarifas das camisolas de malha para homem chegam aos 32,5% para os artigos de fibra, 20% para os produtos de algodão e apenas 1,9% para os produtos de seda. O mesmo acontece para a roupa interior, roupa de bebé, etc. Como consequência, os cidadãos mais pobres dos Estados Unidos que compram produtos mais baratos, pagam taxas de importação mais altas do que os americanos mais ricos, podendo estes comprar, por exemplo, produtos de seda. Segundo o relatório e da mesma forma, os produtores de artigos de baixo-custo nos países mais pobres suportam tarifas mais altas nos Estados Unidos do que os produtores de artigos mais caros dos países mais ricos. Por exemplo, os rendimentos das tarifas americanas no total de importações desde o Cambodja chegaram aos 170 milhões de euros no ano passado, contabilizando 15,8% dos 1,07 mil milhões de euros em entradas. As taxas dos Estados Unidos representam 14,1% dos carregamentos dos Estados Unidos e 10,8% das exportações do Paquistão para o mesmo país. As importações dos Estados Unidos a partir destes países abrange especialmente os produtos têxteis e de vestuário. Comparativamente, as tarifas americanas representaram apenas 0,5% do total de importações desde a Noruega, 1,1% de carregamentos de França, etc… Finalmente, as tarifas americanas para as importações de países pobres fazem em média 7,3% do total de entradas a partir dessas nações, comparadas com os 3,7% da China, 1,7% para o Japão e 1,5% para a União Europeia. O relatório refere ainda que os países mais pobres da Ásia são as principais vítimas desta política. Uma solução possível inclui a oferta de isenção de taxas à entrada de vestuário vindo dos países mais pobres, tal como planeou já o Canadá. O autor do relatório, argumenta no entanto, que estes novos regulamentos seriam assim adicionados a um sistema de importações, só por si já complexo. Os Estados Unidos deverão assim, baixar as suas tarifas têxteis durante o encontro internacional para negociações comerciais, conhecido como Doha Round. Tal proposta é claramente suportada pelos importadores de vestuário americano que poderão obviamente beneficiar da redução de tarifas americanas.