Playboy by Pires

Quando muito se fala e se escreve do lançamento de uma linha de Lingerie da Playboy (para não falar do faustoso octogésimo aniversário do seu fundador Hugh Hefner), pouco se fala que algumas das suas outras linhas estão nas mãos de empresas portuguesas. É o caso da empresa Martins Pires, localizada em Minde, no concelho de Alcanena, que produz mantas, colchas e cobertores para a marca do coelhinho. Como é que Luis Martins Pires conseguiu este cliente? Podia ter sido através de uma feira internacional, num período em que as Associações sectoriais se desmultiplicam em louváveis iniciativas de promoção à internacionalização, mas não. Quando há seis anos a empresa apostou numa feira nos Estados Unidos, as expectativas saíram goradas e os clientes não surgiram, pelo que o empresário pegou numa mala de amostras e foi bater porta a porta, tentando a abordagem directa e pessoal, que lhe granjeou a experiência com a conhecida marca de revistas eróticas, e que depois lhe assegurou já 10% da produção em 2004. As cores mais escolhidas para estas colecções são o preto, o branco e o cor-de-rosa, onde o estampado do logo não deixa ninguém indiferente. Mas esta não é a única experiência com os clientes além Atlântico, pois o coelhinho em Minde é acompanhado pelo rato Mickey, pelo pato Donald ou pelo Pateta, na colaboração que tem com a Walt Disney. Os clientes americanos (não são apenas estes) têm assim a particularidade de assegurar 60% da produção da empresa e de, segundo o empresário, enviar regularmente inspectores para observarem as condições de trabalho na empresa. Também são muito rigorosos no assegurar o cumprimento dos prazos, complementa Luis Pires. O restante da produção é orientado para a Arábia Saudita, para o Kuwait, para o Brasil e para a Europa, sendo a fatia que cabe ao mercado nacional, meramente residual. Luis Pires também se diz afectado no negócio pela crise conjuntural, europeia e nacional, a acrescentar aos maus momentos que viveu há dois anos com a significativa valorização do euro face ao dólar, tirando muita competitividade à sua oferta. Assim, diz que o Estado devia apoiar as empresas deste sector, caso contrário, refere, muitas encerrarão nos próximos anos. Elogia o papel do Icep há uma década para promover a presença da empresa noutros mercados, graças a quem se mantém nalgumas feiras, nomeadamente na de têxteis-lar Heimtextil, na Alemanha. Esta foi, para Luis Pires, o ponto de partida para que os clientes além fronteiras se pudessem aperceber da garantia de qualidade das suas mantas e cobertores. A qualidade que a empresa Martins Pires tenta assegurar há mais de quarenta anos – agora pelas mãos de Luis, a trabalhar com os irmãos João e Natalina, que a herdaram do pai, depois do falecimento da mãe há quinze anos, é corolário do lema de procurar quem goste do que é bom, que sempre foi princípio orientador na fábrica. E assim, depois dos Estados Unidos, nesta senda segue-se a China, que não assusta o empresário. Para Luís Pires, a celeuma de se comprarem agora artigos chineses mais baratos dá-se também pela actual falta de capacidade económica dos consumidores, que quando a economia recuperar vão deixar de os comprar, para procurar o que é bom. O combate trava-se pela qualidade, acrescenta, e salienta que mesmo lá haverá quem tenha poder de compra para procurar o melhor. Que pode ser português.