Pitti Uomo: o mundo inteiro recebe nova estação

Um desejo começar outra vez, um sentimento de energia comercial positiva, uma oferta ampla de produtos muito qualidade e muito cuidado com os preços, são as características básicas que descrevem os quatro dias da 65ª edição da Pitti Immagine Uomo. A feira, que decorreu de 8 a 11 Janeiro em Florença, é um evento de moda masculina internacional, que lança a nova estação para o mundo inteiro.

Segundo a Pitti Immagine Uomo, estiveram presentes 793 marcas de todo o mundo e 678 empresas, valores que indicam um crescimento de 4,8% relativamente a Janeiro de 2003. Do total de marcas, 282 eram estrangeiras e os países mais representados foram a Grã-Bretanha (104), os EUA (48) e a França (45).

Ainda segundo a organização, o número de visitantes na Pitti Immagine Uomo tem crescido sempre nos últimos seis anos. Esta edição terminou com um aumento de 0.4% (26.137 contra 26.025 em Janeiro 2003), essencialmente devido ao aumento de visitantes estrangeiros, que vieram de cerca de 100 países de todos os continentes. O aumento percentual é ligeiro, mas segundo a Pitti Immagine, bastante significativo, tendo em conta o contexto actual, com uma conjuntura económica ainda fraca e estagnada. As características da Pitti Immagine Uomo, como a sua dimensão, integrabilidade e qualidade, permitem interpretar as necessidades do mercado global. E mesmo que esse mercado ainda não esteja em plena curva ascendente, a feira tem uma posição e vocação internacional muito importante, conseguindo exprimir, simultaneamente o que de melhor se faz em Itália.

A análise mais detalhada dos números divulgados pela organização, em termos de visitantes, confirma a posição principal de Alemanha. Também se registaram desempenhos excelentes dos EUA, Japão, França, Rússia, Grécia e Turquia. Alguns dos principais mercados emergentes mostraram um bom crescimento, nomeadamente a Polónia, República Checa, Líbano e Hungria. A respeito de Itália, os resultados foram bons com níveis semelhantes à da edição de Janeiro 2003. Houve um ligeiro decréscimo por parte Portugal (242 visitantes contra 257 em Janeiro 2003), da Holanda e Irlanda. As maiores desilusões vieram de países como o Reino Unido, Espanha, Formosa e Canadá.

Uma vez mais, a única empresa portuguesa presente foi a Vicri, que na última edição foi premiada com o galardão da “colecção mais inovadora”, atribuído pela imprensa estrangeira presente na Fortezza da Basso. A Vicri participa na Pitti Immagine Uomo desde 1991 e segundo Gaspar Sousa Coutinho, um dos proprietários da empresa, contactado pelo Jornal Têxtil (JT), «a presença nesta feira, principalmente num contexto de crise, é essencial, uma vez que é o local privilegiado para apresentar o dinamismo, qualidade, criatividade e inovação que caracterizam as colecções da Vicri».

A presença da marca em Florença tem-se afirmado pela positiva e tem sido reconhecida por todos, inclusive publicações de grande prestígio internacional, que fizeram questão de entrevistar o criador mais uma vez. É de destacar que na cassete de apresentação desta edição da Pitti Immagine Uomo, a primeira imagem visionada é da Vicri e o único entrevistado estrangeiro é Pinho Vieira, que além de fundador e um dos proprietários da empresa, é também o designer das colecções. A apresentadora dava, nos 20 minutos da cassete oficial, 6 minutos de «tempo de antena» ao estilista, falando da colecção Outono/Inverno 2004.05 e mostrando as peças. No fim a apresentadora pediu a Pinho Vieira para recitar em português o poema de Reinaldo Ferreira que acompanhava a apresentação da colecção. Apesar do ambiente de crise europeia, que segundo a apresentadora, ainda se fazia sentir na Pitti Immagine Uomo, Pinho Vieira não escondia o seu entusiasmo: «para nós a feira correu muito bem, não só pelo sucesso da colecção, com várias encomendas efectuadas, sobretudo por clientes japoneses, ingleses e americanos, mas também pela aposta em fecharmos o nosso stand». De facto, o stand da Vicri era o único fechado do pavilhão onde estva localizado e um dos quatro fechados na feira. As razões prendem-se com questões de defesa de propriedade industrial e com alguma selecção prévia dos clientes, o que a avaliar pelo significativo rácio de visitantes por negócios efectivos, foi uma iniciativa acertada. «Foi uma boa surpresa apercebermo-nos que mesmo em ambiente de crise, o nosso volume de vendas foi sensivelmente igual com menos visitantes», confirmou ao JT Gaspar Sousa Coutinho.

A colecção Outono/Inverno 2004.05 que a Vicri apresentou na Pitti Uomo representa um conceito, um sentimento. O objectivo é fazer com que as colecções da Vicri desencadeiem emoções. Segundo Pinho Vieira «a nova colecção pretende estar à altura de dar representação a uma estrutura narrativa e conceptual em tudo idêntica ao âmago de uma obra literária ou cinematográfica. Neste campo de estudos que não detém uma só metodologia, nem confins objectivos exclusivos, propomo-nos em primeiro lugar fazer referência ao conceito de cultura, pondo em questão os processos convencionais que produzem significados culturais».

Vários são os factores que comprovam o sucesso desta feira ao longo dos anos: a elevada qualidade dos expositores presentes e o ambiente de grande confiança que rodeia o certame. Além disto e como já é habitual, a 65ª edição Pitti Immagine Uomo mereceu uma extensa e qualificada atenção dos meios de comunicação social, com comentários bastante positivos sobre os eventos principais que faziam parte do calendário. As inovações nas várias secções da feira foram consideradas interessantes, em particular a New Beat(s), uma nova secção destinada a marcas internacionais presentes pela primeira vez Pitti Immagine Uomo, ocupando uma área criada pela designer francês Matali Crasset.

Um aspecto inerente a qualquer edição da Pitti Uomo é o espírito dinâmico dos diversos eventos paralelos à feira, dos quais dois mereceram especial destaque. Um deles foi uma grande festa promovida pela Killer Loop, marca que se dedica ao segmento do vestuário para neve,skate esurf, no dia 8 janeiro na Tenax, com a presença do duo britânico Chemical Brothers, formado por Ed Simons e Tom Rowlands, em colaboração com Mac Mac Agency. Toda a envolvência e contexto da música dos Chemical Brothers representa na perfeição a imagem e o estilo da marca Killer Loop. Outro dos eventos a destacar foi uma festa que o British Menswear Guild (BMG) promoveu conjuntamente com Pitti Uomo, pelo quinto ano consecutivo. Para esta edição, o evento contou com a presença do Duque de York, que visitou a feira como o representante especial para o comércio e o investimento do Reino Unido, no sentido de apoiar as empresas britânicas presentes. O BMG escolheu o Palácio Corsini, espaço adequado para oshow de apresentação das colecções de vestuário masculino de reconhecidas marcas britânicas. Promovendo também os novos valores, o BMG convidou duas novas empresas, a RED DOT e a RELIGION, que apostaram nummix deurban street wear.