Será que o futuro das feiras italianas, mesmo europeias, de vestuário feminino se vai definir com as pré-colecções? Esta é a questão colocada por diferentes observadores desde a entrada em cena da Pitti Immagine no tabuleiro internacional, com o lançamento do novo ponto de encontro, Pitti W_Women Collection, posicionada no segmento que, actualmente, é apanágio da Premium em Berlim ou ainda da Bread &butter Barcelona. A feira florentina, que decorrerá nos pavilhões de Dogana de 9 a 12 de Janeiro, ao mesmo tempo que a Pitti Uomo, instalada na Fortezza da Basso, a uma centena de metros, abrirá de facto a estação, oito dias a três semanas mais cedo.«Este será o primeiro ponto de encontro mundial do sector. E sabemos bem que, no domínio do vestuário feminino, é muitas vezes aquele que começa que dá o tom e recolhe as ordens de compra. Se esta nova feira tiver sucesso, vai talvez modificar a distribuição internacional e obrigar os outros organizadores de feiras de moda feminina a repensar a sua estratégia», prevê Maura Basili, directora geral da Câmara italiana dos compradores de moda, uma associação que junta as maiores lojas da Península.Esta nova feira corresponde às exigências dos compradores, nomeadamente em termos internacionais, que querem as novas linhas mais cedo (antes dos desfiles de Milão ou de Paris) nas suas lojas, disponibilizando até 70% do seu orçamento por estação. «É um verdadeiro serviço, coerente com a evolução dos mercados. Por outro lado, a maior parte das grandes marcas propõem estas linhas dois ou três meses antes dos desfiles. Acho que este rendez-vous será uma verdadeira oportunidade para as marcas menos conhecidas, que podem encontrar compradores de qualidade logo no início da estação», explica Maura Basili. Estes compradores são os 25.000 a 30.000 visitantes da Pitti Uomo, dos quais, segundo os dirigentes da feira, pelo menos 40% estão também interessados no mercado feminino.Empresas apoiam iniciativaDo lado das empresas, nota-se também uma certa satisfação. Isto é particularmente verdade para as marcas de vestuário sportswear, como a Mason's, que expõe na Pitti Uomo e que, de algumas estações para cá, introduziu o sector feminino, organizando mesmo um verdadeiro desfile em Junho último. «Se vendermos mais rápido, vendemos mais, e, sobretudo, asseguramos um serviço melhor, uma melhor entrega. Este desfile em Junho foi realmente um sucesso, a tal ponto que o iremos repetir em Janeiro», explica Nicolà Martini, director comercial da Mason's.David Agus, CEO da Gfm, a filial do Mariella Burani Fashion Group, que detém a marca Ter et Bantine, posicionado no segmento do luxo, e a licença Anglomania by Vivienne Westwood, regozija-se também com a iniciativa e não exclui fazer parte dos expositores. «Acredito firmemente que a Pitti dá assim um grande passo em frente na gestão das feiras. Conseguiram juntar a tradição com a inovação». A Gfm realiza de 15% a 20% das suas vendas com as suas pré-colecções. «É pouco», reconhece. «Mas, para nós, é fundamental, pois permite-nos trabalhar com grandes compradores, tal como Selfridges, o Harrods ou o Barney's. O objectivo é entrar com a colecção de Primavera-Verão nas lojas logo a partir do final de Outubro. Esta feira deverá ser uma oportunidade suplementar».Mas, de acordo com a maior parte dos observadores, o universo das feiras e das apresentações não se pode basear unicamente nas pré-colecções. Estas são muitas vezes consideradas um pouco «aborrecidas» pelos próprios estilistas, que as vêem como uma espécie de ponte entre a época anterior e a colecção de imagem, mais ligada às tendências, que será apresentada nos desfiles. É esta uma das razões pela qual certas marcas como John Richmond não adoptaram esta política. Por outro lado, o ritmo destas linhas pode variar muito de uma empresa para outra: «para nós, Janeiro já é muito tarde, pois já terminamos a venda das pré-colecções no início de Dezembro. Em contrapartida, é muito cedo para a colecção, que só estará pronta em Fevereiro», explica Brunello Cucinelli, o dono da marca de vestuário em caxemira com o mesmo nome. São objecções de que os organizadores da Pitti Immagine têm consciência. «É certo que haverá ainda muita coisa para ser dita e para se fazer sobre as pré-colecções. Mas a W_Women Colection é uma experiência necessária. Responde à pressão das empresas, que nos solicitam este evento há já muito tempo», explica Raffaello Napoleone, administrador delegado da Pitti Immagine, que dá três ou quatro estações para avaliar o sucesso do novo evento. A primeira edição agrupará cerca de 40 marcas italianas e internacionais que estão actualmente em fase de selecção. Por agora, os dirigentes da Pitti Immagine são discretos quanto ao posicionamento. «O que é certo é que só vamos propor marcas capazes de oferecer um serviço real aos compradores», conclui Rafaello Napoleone.










