Pielespaña tenta atrair portugueses

Xavier Barris, presidente da Pielespaña, feira internacional de moda em pele que se realiza em Barcelona, de 17 a 20 de Janeiro de 2003, esteve recentemente em Portugal a promover este certame. A Pielespaña apresentará em Janeiro do próximo ano as últimas novidades e tendências da moda em pele, confecção em camurça e napa, curtumes, marroquinaria, acessórios e maquinaria. Na sua última edição, realizada em Janeiro passado, este certame contou com a presença de 151 expositores, tendo recebido a visita de 13.810 profissionais, dos quais 1.373 estrangeiros. Entre estes, 24% foram portugueses, apenas superados em termos percentuais de visitantes estrangeiros pelos italianos, que foram 29% do total. A Pielespaña é um salão organizado pela Fira de Barcelona, entidade líder de certames industriais e profissionais em Espanha, em conjunto com a Associação Catalão de Empresas de Confecção em Napa, a CEC-FECUR (Confederação Espanhola de Curtidores) e o ICEX – Instituto Espanhol de Comércio Externo. O Jornal Têxtil falou com este responsável da Pielespaña, ficando a conhecer a sua opinião sobre temas como a presença dos portugueses neste salão e a sua visão sobre o futuro do mercado da pele. Jornal Têxtil – Que novidades vai apresentar esta feira? Xavier Barris – A maior novidade da próxima Pielespaña é a cada vez maior internacionalização deste salão. Esta feira é internacional desde a sua quarta edição, e agora que vamos para a sua 22ª edição, tentamos atrair ainda mais expositores e visitantes estrangeiros, bem como jornalistas de todo o mundo. Quanto às novidades, cada edição da Pielespaña traz sempre algo de novo aos seus visitantes. Assim, nesta próxima Pielespaña vamos ter instalada uma tela gigante, que vai projectar os desfiles de moda e permitir a todos acompanhar as passagens de modelos. Temos igualmente pensada uma área dedicada à “História da Pele”, um espaço que será implementado em parceria com o Museu de Igualada, mas que ainda não avançou por clara falta de espaço. JT – Quais as vantagens para os portugueses em estarem nesta feira, quer como expositores, quer como visitantes? XB – A grande vantagem para as empresas que expõem na Pielespaña é que esta feira é uma grande montra internacional, que tem cerca de 14.000 visitantes de todo o mundo em cada edição e que permite assim chegar a diversos mercados. Como exemplo, a minha própria empresa ganhou muito com a presença na Pielespaña, tendo crescido em volume de vendas e em trabalhadores (passou de quatro 4 para 35). É claro que este é um processo de crescimento lento, mas creio que as empresas do sector têm todo o interesse em estar presentes nesta feira. Do ponto de vista dos visitantes, vir à Pielespaña é aproveitar uma oportunidade única de conhecer as propostas e as tendências dos maiores fabricantes de pele e couro. JT – Como vê a presença das empresas portuguesas na Pielespaña? XB – Eu posso falar concretamente da minha empresa, que tem 7 clientes em Portugal e praticamente todos eles visitam a Pielespaña. Contamos já com a visita de muitos portugueses e queremos que venham ainda mais visitar-nos. JT – Como classifica o mercado da pele e couro em Portugal? XB – Há 5 ou 6 anos, quando comecei a trabalhar com empresas portuguesas, procurava principalmente preço, mas actualmente a qualidade é a principal vantagem dos produtos portugueses. Acho que há bons produtos em pele e couro no vosso país, que actualmente não fica em nada atrás dos grandes produtores mundiais. JT – Em sua opinião, qual será o futuro do mercado da pele e couro na Europa? E em Portugal? XB – Tenho uma visão optimista quanto ao futuro do mercado da pele. É verdade que atravessamos um período difícil, mas as crises económicas afectam todos os sectores, e este não é excepção. No entanto, como a pele é uma parte importante do sector da moda, penso que terá sempre um importante papel neste competitivo mercado. JT – Como vê a concorrência de outras feiras deste género, como as feiras de Milão e Madrid? XB – Bom, a feira de Milão é sem dúvida a maior da Europa. Quanto à feira de Madrid, trata-se de um salão mais pequeno e muito especializado, virado para um ramo específico deste sector, cobrindo apenas os artigos em pele. Na Pielespaña estamos a fazer um grande esforço de promoção internacional do salão, e estivemos recentemente na Alemanha e em Moscovo afim de promover esta feira. Outro factor importante para o êxito da Pielespaña é a conjugação do salão com a Semana da Moda de Barcelona, e é muito conveniente haver uma coincidência das datas destes eventos, pois assim os visitantes podem estar presentes nas duas iniciativas.