Perigo de Pandemia

Praga, a capital Checa, foi a anfitriã perfeita de uma nova conferência voltada para a indústria e os cuidados de saúde- In Control!- focalizada especificamente na crescente problemática de uma infecção global e a contribuição vital dos dispositivos médicos de não-tecidos de uso único (tais como luvas, lençóis e máscaras) na protecção contra esta ameaça. A prevenção da infecção é critica para reduzir a morbidez e o sofrimento do paciente, proteger a equipa médica no bloco operatório e minimizar os custos pós-operatórios causados pela infecção. A empresa portuguesa Fapomed, a maior produtora portuguesa de têxteis técnicos não-tecidos para a industria hospitalar, encerrou esta conferência, responsabilizando-se por informar os assistentes como assegurar a protecção dos dispositivos hospitalares e outro contra os riscos deste tipo de infecções, seguindo-se um «interessante e fértil debate onde fomos interpelados várias vezes por especialistas e assistentes envolvidos nestas matérias», avançou Orlando Lopes da Cunha, ex-presidente da empresa e presidente da Anivec/Apiv, ao Portugal Têxtil.Impacto político globalAs epidemias e as pandemias moldaram a nossa história e continuam hoje a ameaçar-nos, causando o pânico, o sofrimento e a morte. Hoje, os cuidados de saúde estão no topo da agenda política e o número crescente de infecções adquiridas em hospitais constitui um tema de grande preocupação para governos e cidadãos. O controlo efectivo de infecções será um dos desafios-chave para governos e provedores de cuidados de saúde em todo o mundo nos próximos 5 anos.Ameaça pandémica é realHoje, a ameaça de uma pandemia aviaria é real. O vírus responsável H5NI está presente em aves em numerosos países e infectou já cerca de 200 pessoas. Este vírus, que causa graves doenças afectando múltiplos órgãos e sistemas e resulta numa infecção fatal em mais de metade dos casos, tem sobretudo atacado crianças e jovens adultos saudáveis. Um factor perturbante é que, como nenhum vírus do subtipo H5 circulou livremente em humanos, a vulnerabilidade à infecção com uma raça pandémica H5 seria universal.Além das várias medidas de controlo da infecção para o H5NI nos regulamentos dos cuidados de saúde- tais como uma correcta higiene das mãos e técnicas de esterilização, desinfecção e limpeza fiáveis- a Organização Mundial de Saúde também advoga a utilização de equipamento de protecção individual de uso único, tais como luvas, máscaras e luvas para evitar a propagação da infecção.Norma Europeia EN 13795A necessidade de evitar a transferência da infecção entre paciente e equipa médica nunca foi tão grande. Para responder em parte, a Europa publicou a sua norma constituída por três partes para fatos, luvas e lençóis cirúrgicos, usados como dispositivos médicos- EN 13795 -, elaborada para ajudar a proteger pacientes, equipas clínicas e equipamentos.A parte 1 apresenta a estrutura da norma, lista as características que vão ser usadas para avaliação da performance do produto e que tipo de informação deve o fabricante fornecer. Também descreve os requisitos de processamento e fabricação. A parte 2 lista os métodos a serem usados para cada uma das características apresentada na parte 1. A parte 3 diz respeito aos requisitos de performance.Os não-tecidos na prevenção de infecçõesDurante décadas, os não-tecidos têm sido usados como o material de eleição para têxteis hospitalares no bloco operatório e para a prevenção de doenças e infecções. A principal vantagem dos não-tecidos é que são utilizados uma única vez num só paciente e depois são incinerados, evitando assim a necessidade de cuidados de manutenção e o consequente potencial para propagar os agentes infecciosos.Para o bloco operatório, os não-tecidos hospitalares de uso único satisfazem todos os requisitos estipulados na EN 13795:- impedem a penetração de bactérias e a propagação de agentes infecciosos;- repelem a água, o que não é unicamente uma questão de conforto mas que também ajuda a evitar que as bactérias penetrem no tecido;- possuem maciez, respirabilidade e cair, propriedades inerentes ao conforto.Além disso, os não tecidos apresentam os atributos de baixo desperdício e de eficiência de custos.O tipo de não-tecido usado no bloco operatório depende das propriedades desejadas. Os não-tecidos spunlaced são muito confortáveis para o portador, oferecendo excelentes propriedades de respirabilidade, cair e permeabilidade ao vapor de água, entre outras relacionadas com o conforto. As propriedades barreira, todavia, não são boas comparativamente com outros tipos de não-tecidos.A outra tecnologia de eleição para não-tecidos hospitalares resulta de uma combinação de mantas spunlaid e meltblown, usualmente designada como SMS. Esta tecnologia implica uma construção tipo sandwich incluindo no mínimo duas mantas spunlaid com grande número das suas contrapartes meltblown.A tecnologia meltblown confere uma resistência à penetração de água mais elevada, sem necessidade de qualquer subsequente tratamento de repelência adicional, e mesmo assim é permeável ao ar.Só é possível obter melhores resultados com membranas laminadas, que são também respiráveis. O lançamento de um número cada vez maior de mantas meltblown é encarado como uma forma de incrementar a repelência à água e consequentemente as propriedades barreira.Não-tecidos usados no combate à SRASEmbora a indústria dos não-tecidos tenha já demonstrado a sua capacidade para responder rapidamente às catástrofes naturais e humanas com produtos que ajudam a prevenir a propagação de doenças, continua a desenvolver continuamente materiais de performace melhorada para responder a estas exigentes aplicações. Mais de 100.000 toneladas de não-tecidos foram usados no combate à síndrome respiratória aguda severa na China em 2003. Foi considerado o material de eleição para os milhares de máscaras e de vestuário de protecção usado pelos trabalhadores da área da saúde e cidadãos chineses durante a crise da ?pneumonia atípica?, graças às suas capacidades de filtração de bactérias exteriores, propriedades barreira, resistência às gotas e respirabilidade. Parcerias para troca de conhecimento, informação e experiência Em conclusão, não há uma resposta simples e única como controlar as infecções. No entanto, é certo que com melhores processos de saúde, tecnologia inovadora, práticas mais seguras e formação e experiência adequadas é possível minimizar os riscos. Para avançar é efectivamente necessário que todos os envolvidos trabalhem em estreita colaboração de forma a identificar as soluções apropriadas- trabalhadores da saúde, indústria e poder público. A conferência In Control! representou um importante passo em frente na instituição de parcerias e de diálogo entre a indústria de não-tecidos e os profissionais de saúde. Ambas as partes possuem uma riqueza de informação e conhecimento em vários aspectos da prevenção de infecções, que deve ser partilhada e desenvolvida ulteriormente numa base de continuidade para que as necessidades de provedores de cuidados de saúde e seus pacientes sejam eficazmente satisfeitas.