Perdas no retalho

O estudo baseou-se na monitorização dos custos do crime e da perda desconhecida na indústria a retalho global, entre Julho de 2008 e Junho de 2009, e permitiu concluir que o crescimento das perdas ocorreu em todas as regiões estudadas, tendo os maiores aumentos sido registados na América do Norte (+8,1%), países africanos do Médio Oriente (+7,5%) e Europa (+4,7%). Portugal aparece numa posição de destaque na análise comparativa com os restantes países, ao manter a taxa de perda desconhecida em 1,26%, atingida em 2008, o equivalente a 344 milhões de euros das vendas totais. Para além da estabilidade, a taxa portuguesa mantém-se inferior à da média europeia (1,33%) e da média global de 1,43%. Os retalhistas portugueses vêem assim compensado os seus esforços no que se refere aos investimentos efectuados em soluções integradas de prevenção da perda, através da implementação de sistemas e medidas inovadoras. «Os comerciantes acham que um terço dos roubos praticados em lojas deve-se à recessão», afirmou Joshua Bamfield, director do Centre for Retail Research e autor do estudo. «Muitos também registaram alterações nos tipos de “agressor” e de produtos furtados», acrescentou. «Apesar da maioria dos negócios ter sofrido com a recessão económica, poucos foram tão afectados como a indústria de retalho», referiu Rob van der Merwe, CEO da Checkpoint Systems, Inc. «Enquanto os retalhistas tiveram de reduzir os orçamentos na maioria das áreas, o estudo efectuado este ano revela o efeito adverso da excessiva redução dos custos na área da prevenção da perda. Gastar com prudência nesta área pode ter um efeito positivo nos custos e lucros e ter um efeito multiplicador, especialmente quando os orçamentos para formação e pessoal de segurança são reduzidos», salientou. A perda desconhecida varia de acordo com o tipo de negócio, mercado vertical e país. Em 2009, algumas das taxas mais elevadas de perda desconhecida foram detectadas nos sectores do vestuário e acessórios de moda (1,84%) e na cosmética, perfumes, produtos de beleza e farmácia (1,77%). No vestuário e moda, as perdas mais elevadas foram observadas nos acessórios (3,85%) e no vestuário por medida (3,64%). Este conjunto de produtos sofreu a maior taxa de perda desconhecida, entre todas as regiões analisadas (América Latina e do Norte, Europa, ásia-Pacífico e áfrica-Médio Oriente). Custo global do crime no retalho em Portugal Em Portugal, os custos das perdas no retalho atingiram os 376 milhões de euros, dos quais 286 milhões de euros correspondem a perdas por furto e 90 milhões de euros ao investimento efectuado em sistemas de protecção dos artigos. O furto por parte dos clientes, incluindo pequenos furtos e furto organizado, foi a principal causa da perda desconhecida no nosso país, com uma taxa de 48,7% (167,5 milhões de euros). Em segundo lugar, surge o furto proveniente dos empregados que chega aos 94,6 milhões de euros, o que representa uma taxa de 27,5%. Por último, surgem os fornecedores com 6,8% (23,4 milhões de euros) e os erros internos que valem 58,5 milhões de euros (17,0%). O facto da taxa da perda desconhecida em Portugal estar a decrescer desde 2004 e ter estagnado este ano, principalmente num ano de recessão, deve-se a uma clara aposta na definição de um processo coerente e incisivo na questão da perda desconhecida por parte dos retalhistas. Como explica Javier Huelamo, country manager da Checkpoint Systems Portugal, «o furto torna-se mais sofisticado e o retalho vê-se deparado com novos desafios, pelo que se torna imperativo que os retalhistas tomem medidas preventivas para poderem fazer frente aos furtos por impulso e ao crescente fenómeno do roubo organizado. Proteger devidamente os artigos, através de medidas integradas que contemplem um conjunto de soluções de protecção eficientes, e permitir ao consumidor um maior contacto com o produto, através do livre-serviço, possibilita a diminuição dos custos derivados de furtos e um aumento das vendas». «Em Portugal, o retalho tem implementado o que de melhor se tem feito na área da prevenção da perda desconhecida e inclusive tem sido pioneiro em muitas das soluções desenvolvidas», concluiu Huelamo.